Poluição diminuiu 98,9% em Cubatão-SP, mostra estudo

Depois de 25 anos do início do programa de recuperação ambiental que somou mais de US$ 1 bilhão em investimentos, um estudo releva que a quantidade de fumaça e poeira emitida pelas empresas do pólo industrial de Cubatão, na Baixada Santista (SP), diminuiu 98,9% desde 1983, mesmo com a produção crescendo 39% nos últimos dez anos. Elaborado pelo consultor ambiental Eduardo San Martin, a pedido do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) da cidade, o trabalho foi apresentado hoje na sede do órgão.

Agência Estado |

Citando o antigo "Vale da Morte" como exemplo de recuperação ambiental, o secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, elogiou os números da pesquisa. "Olha a mudança que aconteceu aqui, que fantástico! Acabou o `achismo'; aqui nós temos números, dados, comprovação", discursou.

O levantamento mostra que a emissão de amônia, por exemplo, diminuiu 99,4% no período, de 3.489 para 20 toneladas por ano e que a quantidade de hidrocarbonetos despejados anualmente caiu 95,7%, de 32.804 toneladas para 1.300. O estudo mostra ainda os melhor uso dos recursos naturais, com o consumo de energia caindo 23% e a "recirculação" da água no processo produtivo aumentando 65% (tornando possível redução de 28,3% na captação e 32,4% no lançamento de efluentes líquidos). Desde o início do programa, as 54 empresas dos segmentos químico, petroquímico, siderúrgico e de fertilizantes, além de prestadores de serviços do pólo, reduziram em 89% a destinação de resíduos para aterro ou incineração, com a aplicação de "reuso" e reciclagem aumentando 19%.

No entanto, apesar dos avanços comprovados a olho nu pela mudança da paisagem da serra, dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, apontam que o controle de poluentes não foi suficiente para melhorar a qualidade do ar respirado na cidade, que continua saturado. O argumento é do consultor ambiental e ex-gerente da Cetesb Élio Lopes dos Santos.

Relatório

Engenheiro com especialização em controle ambiental, Santos afirmou que, em 2007, conforme mostra o Relatório da Qualidade do Ar no Estado de São Paulo , os níveis de material particulado medidos pela estação da Cetesb da Vila Parisi (região industrial de Cubatão) atingiram 108 microgramas de partículas de poeira por metro cúbico de ar, quando a quantidade máxima permitida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 50 microgramas. Ele afirmou ainda que os níveis de ozônio registrados no centro da cidade passaram cinco vezes o máximo recomendado como padrão (160 microgramas de poeira por m³).

"Houve uma melhora significativa, no entanto, há uma preocupação quanto à qualidade do ar: uma coisa é controle da poluição e outra é qualidade do ar. Nós não podemos sair por aí comemorando porque ainda tem muita coisa a se fazer", disse, destacando que apenas uma empresa da cidade possui sistema para tratamento de metais pesados (a Carbocloro).

Santos disse ainda que, embora o controle de poluição no município seja considerado "de primeiro mundo" em comparação ao resto do País, Cubatão sempre terá o ar saturado. "É uma região de vale, com difícil circulação; por mais que seja feito o controle, o residual apresentado ainda mantém uma qualidade de ar ruim", completou.

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