Revoltados e indignados com o que consideram uma dupla violência sofrida por Paula de Oliveira em Zurique, na Suíça, amigos, colegas, professores, representantes de entidades de direitos humanos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Câmara de Vereadores do Recife e da Assembleia Legislativa do Estado programaram um protesto para a próxima segunda-feira. A brasileira afirmou que, grávida, foi atacada por três skinheads em uma estação ferroviária, que teriam cortado seu corpo com estiletes e provocado aborto por espancamento.

Mas autoridades suíças colocaram em dúvida esta versão.

O ato em de solidariedade e protesto será realizado diante do monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, bairro da Boa Vista. A ação foi discutida hoje em um almoço com a presença de mais de 20 pessoas, todas indignadas com a situação da brasileira. Os amigos mais próximos não admitem as informações que insinuam que Paula teria forjado o crime, como cogitam autoridades suíças. "Por trás de tudo isso há um contexto político de xenofobia, aversão a estrangeiros", observou o amigo Ariosto Cunha.

Os amigos da pernambucana prometem não descansar enquanto toda a situação não for esclarecida, os responsáveis forem punidos e as autoridades suíças não formalizarem o reconhecimento da "brutal violência" sofrida pela cidadã brasileira naquele país. "Estamos duplamente chocados", afirmou o amigo de infância e ex-colega de Paula na Faculdade de Direito do Recife, José Soares.

"Não bastasse a barbárie sofrida, agora querem distorcer os fatos, levantando suspeitas de que Paula se autoflagelou e não estava grávida". Para Soares, há uma tentativa de distorção "inaceitável" que busca inverter o ônus da prova, fazendo com que Paula, a vítima, tenha que provar que foi agredida. Segundo os amigos, ela vivia um momento de plena realização - profissional e pessoal. "Parece uma peça de ficção: no mesmo dia da agressão, pela manhã, recebemos e-mail de Paula, superfeliz contando que os gêmeos eram meninas", afirmou o advogado Marco Aurélio Peixoto, que se formou com Paula, madrinha do seu casamento. "Ela estava legal, feliz, é absurdo se pensar que ela iria se violentar para incriminar um partido político".

"É muito estranha a versão da polícia", reforçou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), Jaime Asfora. Ele defende a fiscalização e monitoramento da investigação por um organismo internacional isento a exemplo da ONU, que, segundo ele, será acionada. A ideia é também integrar a OAB de Zurique na luta por uma investigação transparente. "O que se busca é um desfecho rápido e rigoroso, para que o caso não caia no esquecimento nem haja um desvirtuamento do fato", observou Asfora.

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