Políticos do governo e da oposição festejam decisão de Meirelles

Os líderes dos partidos aliados respiram aliviados com a permanência do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no cargo. Até a oposição admite que a permanência de Meirelles ajuda na campanha da ex-ministra Dilma Rousseff à Presidência.

Andreia Sadi e Fred Raposo |

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), classificou a decisão de Meirelles como "boa" para o governo e para a candidatura de  Dilma. Segundo Maia, a presença de Meirelles à frente do BC alivia possíveis pressões de investidores às vésperas da eleição.

"Em um momento eleitoral, qualquer sinalização errada gera tensões no mercado. Isso é bom para a candidatura da Dilma e para o Brasil", afirma o deputado, que lembrou a disparada do dólar na eleição de 2002. "Naquela época, o dólar foi para quase 4 reais, trazendo prejuízo para o País inteiro. Isso não deve acontecer".

Para o presidente do DEM, "nunca existiu" a possibilidade de Meirelles ser o vice na chapa de Dilma. "Só se ela não tivesse chance de vitória", avalia. Porém, Maia elogiou o trabalho de Meirelles durante a crise econômica, que se desenrolou após a queda dos bancos americanos, no fim de 2008. "Ele soube equilibrar o mercado da forma correta. Tomou decisões fundamentais", diz.

Em discurso nesta quinta-feira , Meirelles disse que sua decisão atende ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, na prática, Meirelles se viu sem saída já que seu plano A, a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, estava reservada para o nome mais forte do PMDB: o de Michel Temer. Para os políticos,  pesou na decisão de Meirelles o fato de que ele não tinha a menor chance de ser indicado vice, apesar de ser a preferência do presidente para a dobradinha com Dilma.

"Se o Meirelles pensava na possibilidade de ser vice, isso pesou para ele ficar no cargo porque ele sabe que 99,9% dentro do PMDB estava fechado com o Temer", disse o vice-líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO).

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) assinala tratar-se de uma decisão "de foro íntimo". Diz que a saída de Meirelles do BC não alteraria qualquer procedimento no banco. Mas opina que sua permanência pode ter sido corroborada pela dificuldade de Meirelles em viabilizar sua candidatura dentro do PMDB.

"Dentro dos quadros do PMDB, ele seria o melhor vice, o mais qualificado. Mas sua militância no partido é recente, por isso encontra dificuldades", diz o senador. "Ele se colocou à disposição, mas como não houve aceno quanto à vaga de vice da Dilma ou ao governo (de Goiás), fez a opção por ficar no banco".

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que a discussão de vice para Meirelles nunca exisitu porque o PMDB nunca o colocou como opção. "Vice não é uma vontade pessoal, é uma articulação política", disse o deputado, que o parabenizou pelo anúncio.

O presidente do Banco Central amadureceu a ideia de permanecer à frente do BC após jantar com a cúpula do partido oferecido por Temer , na noite da última terça-feira. Na tarde de quarta e desta quinta-feira, ele esteve reunido com o presidente Lula, que sugeriu a sua permanência no cargo até o fim de seu governo.

Com a permanência na instituição, Meirelles contraria todas as expectativas que davam como certa sua desincompatibilização para disputar as eleições deste ano. "Eu tenho ouvido muita gente do PT e PMDB em Goiás e ele tinha boas chances na eleição por lá, mas precisamos respeitar a sua decisão", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

No entanto, os partidos comemoraram o anúncio do presidente do Banco Central ao concordarem que a economia brasileira tem muito a ganhar nos próximos nove meses, os últimos do governo Lula.

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