No protesto contra a divisão dos royalties do petróleo no Centro do Rio, políticos divergiram sobre a manifestação. A deputada federal Solange Amaral (DEM-RJ) acredita que a questão foi conduzida de forma errada, com muito oba-oba, enquanto Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que o movimento tem de ser apartidário. Marcelo Crivella (PRB-RJ) citou a utilização da passeada para fins eleitorais, enquanto Lindberg Faria (PT-RJ) mostrou confiança no veto à emenda de Ibsen Pinheiro.

André Durão

Passeata no Rio reuniu cerca de 100 mil pessoas


Houve muito oba-oba por parte de Brasília e dos aliados do governo do estado, as coisas não foram produzidas pela discrição que precisava. Já tem uma emenda pronta que garanta os royalties para os estados produtores. Basta que se respeite isso, explicou Amaral.

Alencar, por sua vez, defendeu o apoio em massa à causa, mas também uma cobrança sobre a utilização da verba dos royalties.

É preciso que não haja envolvimento de apenas um ou outro partido, porque assim a causa diminui. É um movimento do Estado do Rio de Janeiro. Assim como estamos na rua cobrando, para que o dinheiro seja usado no estado, é preciso que haja uma cobrança sobre como esse dinheiro será usado. Temos de ter garantias pelo espírito público".

Crivella lamentou a presença de políticos dispostos a usar a passeata para fins eleitorais. O governador Sérgio Cabral vetou a utilização do palanque para discursos, o que irritou rivais, como a ex-governadora e prefeira de Campos, Rosinha Garotinho.

"Esse movimento é importante para sensibilizar todo o país e não apenas o Rio de Janeiro. Mas infelizmente, como qualquer movimento que envolva políticos, sempre há alguém presente visando aos palanques eleitorais".

O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, se mostrou confiante e afirmou que a emenda de Ibsen é inconstitucional. "Essa é a passeata mais diferente que participei na minha vida. Com hora marcada, todo mundo com guarda-chuva e políticos adversários em prol de uma só bandeira. Tenho certeza de que o Lula vetará essa emenda, porque além de incostitucional, ele tem uma parceria com o Sérgio Cabral e a população do Rio de Janeiro. Se o Lula vetar, não tem como o Senado derrubar um veto presidencial. Seria um desgaste para a imagem do presidente".

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