Políticos assediam PV no pós-Marina Silva

Por Carmen Munari SÃO PAULO (Reuters) - O Partido Verde está em alta. Do empresário Paulo Skaf ao vereador paulista Gabriel Chalita (PSDB), o mais votado em 2008, a legenda vem sendo cobiçada por políticos e líderes de espectro variado no cenário político nacional, o que inclui um alto executivo da Natura.

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Mesmo o megaescritor Paulo Coelho frequentou o noticiário vinculado a um pretenso interesse de se juntar ao PV, de pronto desmentido.

O efeito provocado pela chegada da senadora Marina Silva, que anunciou a troca do PT pelo PV no início de agosto, surpreende dirigentes da legenda, que passam boa parte do tempo desmentindo ingressos ou em conversas com novos adeptos.

Presidente nacional do PV, José Luiz Penna, acredita que todo esse interesse tem apenas uma explicação: "O país ficou muito tempo sem um projeto para o futuro" e agora políticos de outras legendas ou sem-legenda têm no PV a oportunidade de renovação.

Outra "vantagem", segundo Penna, é que o PV "não é de direita nem de esquerda, é para frente", conforme disse à Reuters.

Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), está à procura de uma legenda para se filiar, o PV entre elas. Penna diz que empresários que queiram discutir a questão ambiental são bem-vindos. "Isso é uma coisa, Paulo Skaf é outra coisa".

O que dificulta a entrada do dirigente na sigla dos verdes é a política pouco clara da Fiesp sobre a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. "Ele não estaria afinado conosco", diz outro dirigente do PV.

Skaf, segundo sua assesoria, tem um rol de partidos que já entrou em contato. Não apenas com o PV, mas o PMDB, PSB, PR e PSDB. "Todos fizeram convites", segundo um auxiliar.

O dirigente da Fiesp ainda não definiu se concorrerá às próximas eleições, mas deve se definir até o final deste mês, data-limite para filiações com pretensões eleitorais para 2010.

Outro empresário que aparece associado a Marina Silva é Guilherme Leal, um dos controladores da indústria de cosméticos Natura. Ele seria o escolhido da senadora para ser vice na chapa liderada por ela para concorrer à sucessão presidencial.

Marina e Leal têm proximidade, de acordo com uma fonte ligada à empresa.

A assessoria da senadora não desmentiu nem confirmou o nome de Leal, afirmando apenas que Marina ainda não assumiu a candidatura presidencial e não poderia falar sobre vices. Confirmou, no entanto, que os dois se conhecem da época em que ela foi ministra do Meio Ambiente (2003-2008) e já tiveram encontros. Procurada, a empresa não comentou o assunto.

O PV também está nos planos de Gabriel Chalita, que busca outra legenda para concorrer ao Senado, dado o espaço já ocupado no PSDB paulista. Penna confirma que convidou o colega vereador para conversar, mas nada foi definido. "Não deixamos nada acertado", diz o dirigente.

Chalita divulgou que teria encontro com Marina Silva na próxima terça-feira, prontamente negado pela senadora. O vereador tucano tende a ingressar no PSB e conversou com seu presidente, o governador Eduardo Campos (PE), há poucos dias. Nesta sexta-feira, ele recebeu o apelo do presidente do PSDB municipal, José Henrique Reis Lobo, para que permaneça na legenda.

Como resultado de tanta exposição, o PV comemora a ampliação da base. A sigla recebia 600 filiações por semana em São Paulo, Estado em que é mais forte. No pós-Marina, o número pulou para 3.000 filiações semanais, de acordo com a legenda.

(Reportagem de Carmen Munari; Edição de Eduardo Simões)

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