Policial percebeu erro ao matar jovem no Paraná, diz estudante

CURITIBA - O estudante Diogo Soldi Schuhli, de 21 anos, sobrevivente de uma malsucedida perseguição policial em Porto Amazonas, a cerca de 80 quilômetros de Curitiba, neste domingo, na qual foi morta a jovem Rafaeli Ramos Lima, de 20 anos, disse nesta segunda-feira que os dois policiais que atiraram reconheceram na hora o erro que cometeram. Um abriu a porta do carro (dentro do qual Rafaeli estava inconsciente por ter levado um tiro na cabeça), olhou para o outro policial que estava ao lado e disse: Fizemos cagada, relatou Schuhli à reportagem da Agência Estado, antes do enterro.

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Parentes se despedem de jovem no velório
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), classificou o episódio como "rigorosamente injustificável". "A posição do governo é de dureza. Os policiais deverão ser rigorosamente punidos e vão responder por tudo. Os policiais já estão afastados das funções e deverão receber uma punição exemplar", afirmou.

Os soldados Luís Gustavo Landmann, que seria o autor do disparo que matou a jovem, e Dioneti dos Santos Rodrigues estão detidos no 1º Batalhão de Ponta Grossa. O governo do Paraná pediu que o Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) acompanhe o inquérito que investiga o homicídio.

O caixão com o corpo de Rafaeli foi acompanhado por cerca de 300 pessoas, passando pelo local onde ela foi morta e em frente ao destacamento da Polícia Militar (PM), antes de chegar à Igreja Matriz do Menino Jesus para uma missa e, depois, ao Cemitério Municipal.

Uma faixa destacava: "Um policial incompetente tirou a vida de uma inocente." "Foi uma brutalidade", qualificou o pai da jovem, o caminhoneiro Jociel Antônio Machado Lima. Lima disse que a família deve entrar com uma ação de reparação contra o governo do Estado. "Não pode ficar impune, quero ver a condenação", afirmou.

Rafaeli voltava, neste domingo, de um baile de formatura em companhia de Schuhli, que dirigia um Gol preto. "Descia pela BR-427 para fazer a conversão à esquerda, tinha acabado de passar por uma lombada e estava a 20 ou 30 quilômetros por hora, no máximo", disse. "No momento em que fui virar, a viatura da polícia apareceu sem mais nem menos." Segundo ele, o carro policial estava com as luzes apagadas.

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