Policial acusado de chefiar milícia no Rio se entrega

RIO DE JANEIRO - O inspetor da Polícia Civil, Odinei Fernando da Silva, entregou-se no final da manhã desta segunda-feira à Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (DRACO), na zona Portuária do Rio de Janeiro. Ele é acusado de ser o chefe da milícia na favela do Batan, em Realengo, zona Oeste da cidade, onde uma equipe de reportagem do jornal O Dia foi torturada no mês passado. Odinei é lotado na 22ª DP (Penha) e chegou à DRACO acompanhado de seu advogado.

Redação com Agência Estado |


A equipe de reportagem, integrada por uma jornalista, um fotógrafo e o motorista, passou 14 dias na favela do Batan, para preparar uma reportagem para descrever como é a vida numa região controlada pela milícia.

No dia 14 de maio, eles foram detidos, torturados e ameaçados. O crime só foi divulgado no início de junho, para não prejudicar as investigações.

Segundo relatos do jornal "O Dia", o fotógrafo e o motorista foram surpreendidos por dez homens, armados e com máscaras, quando chegavam ao Largo do Chuveirão para tomar cerveja a convite de moradores locais. O grupo, então, foi buscar a repórter, que estava em casa. Eles foram mantidos em cárcere privado por sete horas e meia, período em que foram agredidos com socos, pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico e roleta russa.

Por motivos de segurança, os nomes das vítimas não foram divulgados. A repórter, o fotógrafo e o motorista do jornal estavam vivendo em uma casa alugada na favela Batan e foram denunciados às lideranças da milícia que controla o local.

No começo de junho, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Federação Nacional dos Jornalistas promoveu um ato de repúdio ao seqüestro e tortura dos repórteres do jornal carioca. O protesto ocorreu no mesmo dia em que o assassinato do jornalista Tim Lopes por traficantes completa seis anos.

Ameaças

Os criminosos ameaçaram matar os reféns, mas os liberaram após a promessa de que não denunciariam as agressões. Segundo o relato feito pelas vítimas, havia policiais no cativeiro, que em determinado momento chegou a ter mais de 20 pessoas, entre agressores e espectadores.

A ação das milícias em favelas do Rio é hoje uma das principais preocupações da Secretaria de Segurança Pública, uma vez que há indícios de que grande parte delas são comandadas por militares. Em declarações dadas no fim de fevereiro, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que havia 115 investigações sobre o tema em curso. Na ocasião, ele classificou a atuação de policiais nas milícias como "desvio de conduta muito sério".

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