Policiais vítimas de grampos recorrem à CPI contra processos judiciais

BRASÍLIA - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas, na Câmara dos Deputados, ouve nesta quarta-feira o depoimento de dois policiais rodoviários federais, vítimas de escutas telefônicas mal feitas. Os policiais procuraram a CPI para que os parlamentares avaliem as conseqüências de um grampo legal mal conduzido e que ¿podem prejudicar a vida de pessoas inocentes¿.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

Luiz Carlos Simões, 33 anos de PRF, foi condenado a cinco anos de prisão durante a operação Poeira no Asfalto, da Polícia Federal, em 2004. A operação ocorreu no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Paraná com o objetivo de desmantelar uma das principais quadrilhas especializadas em fraudar e falsificar combustíveis no País. Porém, ela acarretou somente na prisão de integrantes da Polícia Rodoviária Federal.

Apenas depois de 162 dias de prisão no Presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro, Simões conseguiu fazer um exame científico-comparativo de voz, que comprovou sua inocência. A voz interceptada era de um colega chamado Erly Simões, que trabalhava em outra rodovia. Não sei o que é pior: a escuta ilegal ou a imputação de crime que não cometi, afirmou Simões ao lembrar o dia em que foi preso. O policial publicou recentemente o livro Injustiça da Justiça. Na época, não foi permitido que Simões prestasse depoimento em juízo.

Luiz Carlos Roque também foi preso após escutas mal conduzidas. Ele ficou preso durante 60 dias por conta de conversa de terceiros ¿ dois policiais - que estavam sendo monitorados pela Polícia Federal. Roque foi acusado de ser um seqüestrador e de ter estuprado a filha. Porém, ele não tem filha. O criminoso homônimo ficou livre. Questionado sobre a forma como o conteúdo do áudio das escutas chegou ao juiz, Roque afirmou que, em 2002, a PRF adquiriu um equipamento de escuta sem licitação. Entretanto, o policial não teria provas da compra.

Até hoje, ambos respondem a processos como réus. Além de depor na CPI, eles pretendem pedir apoio da Comissão de Direitos Humanos da Casa para resolver questões judiciais.

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