Polícia vê indícios de participação de Cassol em fraudes

A Polícia Federal (PF) identificou indícios da possível participação do governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), no esquema de fraudes na importação de carros de luxo e eletroeletrônicos pela empresa TAG, sediada no Estado e com filial no Espírito Santo. Esses vestígios foram remetidos à Procuradoria-Geral da República (PGR), uma vez que Cassol tem foro privilegiado. Caberá à PGR decidir se os sinais são suficientes para abertura de um inquérito.

Redação com agências |

O filho Ivo Júnior Cassol e o sobrinho dele Alessandro Cassol Zabott foram presos durante a Operação Titanic, deflagrada hoje pela PF em quatro Estados - Rondônia, São Paulo, Espírito Santo e Rio. A prisão de Júnior Cassol e Zabott, de acordo com o delegado responsável pelo caso, Honazi de Paula Farias, pode ser uma indicação da participação do governador. "Sendo parentes do governador, acredito que há certo viés de relacionamento", disse.

Guilherme Erse, advogado do filho do governador de Rondônia Ivo Cassol, confirmou que durante um período de férias em janeiro deste ano o governador e o filho, Ivo Júnior Cassol, estavam no Rio de Janeiro com a família e tomaram café da manhã com um dos principais envolvidos na quadrilha presa nesta segunda-feira acusada de fraude na importação de veículos e de mercadorias de luxo. Guilherme Erse, que faz a defesa da família Cassol, é genro do governador e também estava presente no encontro. 

Agência Estado
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Quadrilha importava carros de luxo
O filho de Cassol foi preso nesta segunda por envolvimento com as fraudes na importação de veículos de alto luxo pela importadora TAG, junto com o sobrinho do governador, Alessandro Cassol Zabott e o ex-senador e atual suplente do senado, Mário Calixto Filho.

Guilherme definiu o episódio da prisão preventiva de Júnior como "estar no local errado e na hora errada". O advogado França Guedes, que está à frente da defesa da família Cassol, embarcou para Vitória, para tomar mais conhecimento sobre as acusações a que respondem Ivo Júnior e o sobrinho do governador, Alessandro.

Meu filho foi usado, diz Cassol

Ivo Cassol afirmou nesta segunda-feira que o filho dele foi usado pelos empresários denunciados na Operação Titanic para atingi-lo. De acordo com o governador, os empresários tinham a intenção de instalar uma montadora de carros em Guajará-Mirim (RO), na fronteira com a Bolívia.

Ele afirmou que Júnior Cassol conheceu os outros acusados num evento de Fórmula 1, em São Paulo. Depois deste primeiro contato, os empresários convidaram o filho de Ivo Cassol para conhecer o empreendimento deles no Espírito Santo, e ele aceitou.

Depois, os envolvidos procuraram-no em Rolim de Moura para, supostamente, tentar usar a influência dele com o objetivo de desbloquear os incentivos fiscais da empresa TAG. A TAG funciona em Porto Velho, numa sala comercial no centro da capital roraimense, e é beneficiada com um programa de incentivos. A empresa estava com os incentivos bloqueados, mas o governador de Roraima não soube dizer o motivo desse bloqueio. Segundo Ivo Cassol, outras 14 empresas também recebem esses estímulos no Estado.

Ivo Cassol disse estar convicto da inocência do filho e que pretende tomar providências para restaurar a imagem dele. "A gente que é inocente é que tem de provar a inocência", lamentou. Além disso, o governador afirmou que continuará a incentivar empresas que queiram se instalar em Rondônia. "Só não compro mais carro importado", satirizou.

A operação
A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira 22 pessoas acusadas de fraude na importação de veículos e de mercadorias de luxo. Um dos investigados, que está nos Estados Unidos, deve ser preso pelo FBI (Federal Bureau of Investigation) e deportado para o Brasil. As informação são da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal.

A Operação Titanic, que está sendo realizada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Receita Federal, apurou que a sonegação fiscal praticada pela organização criminosa em 2007 resultou em um prejuízo aos cofres públicos de pelo menos R$ 7 milhões. No período, aproximadamente 190 veículos chegaram ao Brasil de forma fraudulenta. Entre os modelos importados estão automóveis Ferrari, Lamborghini, Porsche e Nissan Infiniti, entre outros.

Houve também fraude na importação de mais de 50 motos de luxo.

De acordo com as investigações, colaboravam com a fraude servidores públicos, além de empresários brasileiros e estrangeiros, contadores, advogados e corretores de câmbio.

Entre os crimes cometidos pela quadrilha estão corrupção de servidores públicos, contabilidade fictícia, inserção de informações falsas em contratos de câmbio visando à evasão de divisas, descaminho, lavagem de bens e capitais, corrupção passiva e tráfico de influência. Empresas situadas nos Estados Unidos e no Canadá também participaram das fraudes.

A quadrilha era encabeçada pelo empresário capixaba Adriano Mariano Scopel, proprietário da empresa Tag Importação e Exportação de Veículos Ltda., uma das maiores importadoras de veículos de alto luxo do país. O grupo usava o terminal portuário de Peiú, um dos mais importantes da região metropolitana de Vitória, como pátio de negócios.

Para escapar da fiscalização, a quadrilha montou em torno de si uma espécie de escudo graças à concessão de vantagens ilícitas a servidores públicos, entre os quais quatro auditores fiscais da Receita Federal, três deles do Espírito Santo, e um servidor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A operação mobilizou 160 policiais federais e oito auditores da Receita Federal para cumprir 54 mandados de busca e apreensão e mandados de prisão nos estados do Espírito Santo, Rondônia, São Paulo e Minas Gerais.

Os presos responderão por evasão de divisas, crime contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, entre outros. Se condenados, poderão pegar mais de 30 anos de prisão.

(Com informações das agências Estado e Brasil)

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