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Polícia trabalha com hipótese de que morte de cartunista foi crime premeditado

A Polícia Civil informou que trabalha com a hipótese de que o crime contra o cartunista Glauco Villas Boas e seu filho, Raoni, mortos a tiros na última quinta-feira, tenha sido premeditado.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

 

Essa hipótese existe, pois ele [o suspeito] já chegou lá com uma arma, disse o delegado da Secretaria de Investigações Gerais da Delegacia Seccional de Osasco, Archimedes Cassão Veras Júnior.

AE
Estudante estava afastado de cultos
Segundo ele, os motivos que levaram Carlos Eduardo Sundfeld Nunes ao crime ainda não foram totalmente esclarecidos, mas não há mais dúvida quanto à autoria do crime. Ele descartou totalmente a hipótese de latrocínio que havia sido divulgada pela manhã pelo advogado do cartunista. Foi um homicídio doloso, disse.

O delegado afirma que o criminoso dava sinais de que estava fora de si, falava coisas desconexas e frases sem sentido, mas, de acordo com Veras, não há possibilidade de que ele seja inimputável, ou seja, que ele possa usar isso em sua defesa, em um possível julgamento, alegando que não sabia o que estava fazendo.

Ele passou em três ou quatro faculdades. Com certeza ele tinha consciência.

Segundo o delegado, falta apurar agora o motivo do crime e a possível participação de uma segunda pessoa que estava dentro do carro.
Nesta sexta-feira, foram ouvidas cinco testemunhas: o pai e o avô de Cadu, como era conhecido o suspeito, além de dois vizinhos de Glauco e a enteada do cartunista, Juliana, única testemunha ocular do assassinato.

O pai e o avô disseram, em depoimento, que Cadu enfrenta problemas psiquiátricos e com drogas há algum tempo. Ele já passou, inclusive, por tratamento psiquiátrico. Segundo testemunhas, o primeiro contato com Glauco e a igreja Céu de Maria, justamente para tentar se livrar do vício com drogas.

Há pelo menos dois anos ele teve passagem pela polícia por porte de maconha. Ele não conseguia dar sequencia a nenhuma faculdade em que foi aprovado e não trabalhava, mas, segundo depoimento de parentes, nunca foi uma pessoa violenta.

Ele morava com o avô paterno em Alto de Pinheiros, bairro nobre de São Paulo. Os pais são separados e a mãe também tem problemas psiquiátricos.

Carreira

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Glauco em foto de 1986
Nascido em 1957, em Jandaia do Sul, no Paraná, Glauco Villas-Boas publicou sua primeira tira em 1976 no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto. A carreira decolou após ser premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, também em 1976, e na 2ª Bienal de Humorismo y Gráfica de Cuba.

Glauco começou a publicar suas tiras no jornal "Folha de S.Paulo" de maneira esporádica em 1977 e, em 1984, os desenhos passaram a ser regulares. Ele desenvolveu os personagens Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Como redator, fez parte do elenco de redatores da TV Pirata, da Rede Globo. Músico, também tocava em bandas de rock.

Em parceria com os cartunistas Angeli e Laerte, lançou os "Los Três Amigos", tira com histórias sarcásticas que também eram publicadas pela Folha. Em 2006, publicou o livro "Política Zero", com 60 charges sobre a crise no governo Lula.  

Reprodução Folha de S.Paulo de 12/03/2010

Charge do cartunista publicada nesta sexta-feira

*Com informações da Agência Estado

Leia também:

Salão de humor lamenta morte de Glauco

 


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