Polícia realiza operações em favelas do Rio para localizar responsáveis por ataques

RIO DE JANEIRO ¿ A Polícia Militar deflagrou na manhã desta segunda-feira seis operações em favelas do Rio de Janeiro para tentar localizar os responsáveis pelos ataques ocorridos no final de semana na zona norte da cidade que deixaram 21 pessoas mortas, sendo três policiais. Segundo a corporação, cerca de 4 mil homens estão de prontidão e a ações não têm previsão de término.

Redação |

AP
Polícia reforça policiamento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira

Polícia reforça policiamento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira

De acordo com a PM, o 6º BPM (Tijuca) realiza uma megaoperação na região do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, onde teve início o confronto de sábado. Policiais militares ocupam os morros dos Macacos, São João, da Matriz e Quieto.

A PM também realiza incursões pela favela do Jacarezinho com o apoio do 3º BPM (Méier), 14º BPM (Bangu) e da Companhia de Cães. Em Manguinhos, soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) fazem buscas pela comunidade e chegaram a causar tensão entre os motoristas que passavam pela avenida Bulhões de Carvalho, no trecho conhecido como Faixa de Gaza.

Veja o local dos confrontos no mapa (clique para ampliar)

No Complexo da Maré, policiais do 22º BPM (Maré) ocupam as favelas Nova Holanda e Parque União. Já o morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no centro do Rio, está ocupado por policiais do 1º BPM (Estácio).

De acordo com a PM, um dos objetivos das operações seria a captura de Fabiano Atanázio, o FB, chefe do tráfico na Vila Cruzeiro, na Penha, que teria liderado a tentativa de invasão na madrugada de sábado.

"Temos por objetivo nessas operações prender traficantes que participaram direta ou indiretamente do ataque ao helicóptero no Morro dos Macacos", afirmou o major da PM Oderley Santos, relações públicas da corporação.

Início dos confrontos

A onda de violência no Rio de Janeiro teve início quando traficantes do Complexo do Alemão e do Jacarezinho invadiram o Morro dos Macacos, por meio do Morro São João, por volta das 3h do último sábado. Assim, começou uma guerra pela disputa de pontos de venda de drogas no Morro dos Macacos.

Uma operação policial, com 120 homens, começou na favela para pôr fim à violência. Porém, um helicóptero da Polícia Militar que dava cobertura a ação foi abatido a tiros por criminosos. Ao ser atingida, a aeronave explodiu causando a morte dos policiais Marcos Macedo e Edinei Canavarro de Oliveira.

Nesta segunda-feira, morreu mais um soldado que estava no helicóptero . O cabo Iso Gomes Patrício estava internado no Hospital da Força Aérea, na Ilha do Governador, com queimaduras em cerca de 80% do corpo. Seu estado era considerado gravíssimo.

Além das três vítimas fatais, ficaram feridos o piloto Marcelo Vaz de Souza, o co-piloto Marcelo Mendes e o policial Anderson dos Santos.

Futura Press

Helicóptero cai em campo de futebol após ser atingido por tiros

Na noite de domingo, durante uma varredura feita por policiais militares do 3º, 6º e 14º batalhões, foram encontrados mais dois corpos , ambos do sexo masculino, ainda não identificados. Eles estavam na junção formada no topo dos morros São João e dos Macacos.

Segundo o major Oderlei Santos, que atua no setor de Relações Públicas da Polícia Militar, ainda não se sabia se os corpos encontrados são de pessoas mortas no confronto decorrente da invasão do morro de sexta para sábado ou se são de pessoas mortas por disparos de policiais militares durante a ação da polícia.

Na manhã de domingo, outros dois suspeitos foram mortos, conforme a polícia, durante troca de tiros com o Bope, que realizou uma operação no Jacarezinho. Foram apreendidas duas pistolas e cerca de 250 kg de maconha.

Ordem vinda de presídio

O Ministério da Justiça negou, em nota à imprensa, que a ordem para a invasão do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, tenha partido de traficantes presos da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. De acordo com a secretaria de Segurança do Estado, o caso é investigado em sigilo.

O Ministério da Justiça afirma ainda que, desde que entraram em funcionamento, há mais de 3 anos, as penitenciárias federais não registraram "nenhuma morte, fuga, rebelião, entrada de aparelhos celulares ou armas".

A possibilidade da invasão ter sido ordenada por detentos havia sido levantada pela Polícia Civil. "O Morro dos Macacos é estratégico para a polícia e para os bandidos. Sempre que uma facção acha que a rival está fragilizada tenta ampliar seus domínios no Morro", afirmou o chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski.

*com informações da agência Reuters

Assista ao vídeo que mostra o enterro dos policiais:

Leia também:


Leia mais sobre: Rio de Janeiro


    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG