Polícia procura corpos de traficantes em morro da zona norte do Rio

RIO DE JANEIRO - Homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciaram na tarde deste domingo buscas a corpos de traficantes que teriam morrido no confronto deste sábado. Os trabalhos acontecem no Morro São João, na zona norte da cidade.

Redação com agências |

A polícia recebeu informações de moradores da região de que corpos de supostos traficantes estariam no morro. Os policiais, entretanto, ainda não localizaram nada nas buscas.

Hoje pela manhã, uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Morro do Jacarezinho, zona norte da cidade, deixou mais dois supostos traficantes mortos, elevando, com isso, para 14 o número de mortos nos conflitos: 12 traficantes e 2 policiais.

Reuters
Paz e guerra: Bope faz operação no Jacarezinho

Segundo a PM, quatro pessoas foram detidas na operação do Bope no Morro do Jacarezinho. Além disso, 250 quilos de maconha também foram apreendidos pelos policiais. 

No Morro dos Macacos, em Vila Isabel, homens do 6º Batalhão (Tijuca) também realizam uma operação, mas não houve troca de tiros esta manhã. Os policiais vasculham a comunidade em busca de traficantes do Comando Vermelho (CV) que podem estar escondidos. A quadrilha local, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) também é alvo da operação.

A Secretaria de Segurança Pública confirmou que 2 mil homens das policias civil e militar do Rio de Janeiro estão na região dos conflitos. Os policiais vão permanecer no local até que a segurança seja completamente garantida.

Policiamento

O policiamento em toda a cidade foi reforçado com a convocação de homens de folga e de outros batalhões da região metropolitana. Uma prova para o curso de novos sargentos foi suspensa.

Frustrada a invasão nos Macacos, o objetivo da PM agora é prender traficantes que participaram do conflito de sábado, que aterrorizou moradores das favelas do Macacos e São João e do bairro de Vila Isabel, na zona norte.

A polícia reforçou o policiamento em comunidades dominadas pelo CV, como Mangueira, Manguinhos e Jacaré, e também está presente nos acessos da Rocinha, controlada pela ADA. Na noite de sábado, a PM informou que prendeu o gerente do tráfico em Manguinhos, conhecido como Lacoste.

Vítimas

Além dos dois policiais que morreram carbonizados na queda do helicóptero da polícia abatido a tiros por bandidos no sábado, outras dez pessoas foram mortas nos confrontos. A polícia afirmou que são todos traficantes, mas moradores denunciam que três jovens encontrados mortos dentro de um carro são inocentes.

Dos quatro tripulantes do helicóptero que sobreviveram à queda e incêndio do aparelho, dois já tiveram alta. Dos outros dois que permanecem internados no Hospital da Polícia Militar, um ainda está em estado grave, com queimaduras em todo o corpo e vias aéreas. O quadro do outro policial é considerado estável.

Os dois policiais que morreram serão sepultados no Cemitério de Sulacap, na zona oeste, às 15h30. Considerados heróis pelo comandante da PM, eles deverão ser sepultados com honras militares na presença do coronel Duarte e o secretário Beltrame.

Futura Press Helicóptero cai em campo de futebol após ser atingido por tiros

Confronto

O confronto de sábado ocorreu no Morro dos Macacos após traficantes rivais invadirem a favela em busca do controle do tráfico de drogas na região.

O secretário de segurança pública da cidade, José Mariano Beltrame, disse ontem que sabia da possível guerra pelo controle dos pontos, mas que não pôde impedir a batalha porque não tinha homens suficientes para patrulhar todas as entradas da comunidade.

Reação da polícia

Depois da forte troca de tiros , o comandante geral da Polícia Militar do Estado, coronel Mário Sérgio Duarte, disse que a polícia vai iniciar a busca pelos traficantes envolvidos no ataque. Segundo o coronel, quatro comandos de policiais estão montados na região para evitar o deslocamento dos traficantes.

"Não vamos descansar enquanto isso não acontecer. A população espera uma resposta da PM", disse o coronel. "Não vamos nos desviar. O trabalho forte de inteligência e os homens da Polícia Civil vão ajudar", acrescentou o secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrane. "Nós sabemos quem foi, como foi, e haverá uma resposta na mesma medida, defendeu o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Alan Turnowisk.

Turnowisk acrescentou que a ação dos traficantes foi "ousada" e "que nenhuma ação no Rio de Janeiro ficou sem resposta". Segundo ele, a polícia não vai ficar sem dar uma resposta "no momento certo".

Veja o local dos confrontos no mapa (clique para ampliar)

O comandante da PM informou que o controle da região está sendo realizado pela Polícia Militar. "Vamos nos manter no terreno para manter o controle do local. Folgas foram canceladas e todos os policiais estão sendo utilizados", disse o coronel Duarte.

Helicóptero abatido

O comandante da PM disse ainda não saber qual foi a arma utilizada para atingir a aeronave. "Sabemos que os traficantes possuem armamento de longo alcance, mas é prematuro afirmar qual tipo foi utilizado para atingir o helicóptero", disse o comandante.

O aparelho, que tinha apenas o fundo blindado, dava apoio a uma operação com 120 homens da PM para acabar com o confronto entre traficantes na disputa por pontos de vendas de drogas na favela. Atingido por disparos dos bandidos, o helicóptero Fênix pegou fogo logo após pousar num campo de futebol.

Dois dos seis tripulantes morreram carbonizados e os outros policiais foram resgatados com queimaduras. Outros dois policiais e dois moradores foram feridos em terra. Três policiais que sobreviveram à queda, pularam do aparelho antes de ele tocar o chão.

Segundo o major Oderlei Alves, relações públicas da PM, dois deles, além de queimaduras, foram baleados no ar. O quarto ferido é o único internado em "estado gravíssimo", com queimaduras severas em todo o corpo e vias respiratórias.

(Com informações da Agência Estado)

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