Polícia prende três suspeitos de envolvimento com milícias no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ A Delegacia de Repressão do Crime Organizado (Draco) realiza nesta sexta-feira uma operação para prender supostos integrantes de uma milícia que seria controlada pelo deputado estadual Jorge Babu (PT). Até o momento, três pessoas foram presas nos bairros do Cachambi, zona norte do Rio, Campo Grande e Realengo, ambos na zona oeste da cidade.

Redação |

Segundo o chefe de operações especiais da Draco, Jorge Gerhard, foram expedidos, no total, 10 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão, sendo esses todos cumpridos. Entre os procurados está um coronel da Polícia Militar (PM). Nenhum dos mandados de busca e apreensão foi cumprido na casa de Babu.

Os policiais encontraram na zona oeste uma central clandestina de TV a cabo e um depósito ilegal de botijões de gás. Os agentes apreenderam na região máquinas caça-níqueis e material de campanha do candidato a vereador Elton Babu (PT), irmão de Jorge Babu.

A operação conta com 100 homens, sendo 50 da DRACO, 40 da PM e 10 da Corregedoria da Polícia Civil. Dois promotores trabalham com o Serviço de Inteligência da Draco nas investigações.

Suspensão

Na última segunda-feira, a Executiva do PT no Rio suspendeu os direitos partidários de Jorge Babu por dois meses. Presente à reunião, o deputado comemorou o resultado. Questionado sobre a suspensão, disse estar "muito satisfeito".

"O que eu não queria era ser expulso do PT, do partido pelo qual sou apaixonado. Queria tempo para me defender, eu quero ser investigado. Não sou miliciano", declarou o parlamentar.

A suspensão dos direitos partidários significa que Babu não pode participar de reuniões do PT nem se apresentar como representante do partido. Segundo o presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice, a bancada petista na Assembléia Legislativa vai decidir os limites da atuação do deputado como representante do PT no Legislativo.

Cantalice disse que a suspensão "é a punição máxima" prevista pelo estatuto, nesta altura do processo, quando ainda não há uma recomendação da comissão de ética. "O estatuto não prevê expulsão sumária", explicou.

Milícia

Jorge Babu era policial civil no bairro de Santa Cruz, onde nasceu e foi criado. Ele se elegeu duas vezes vereador pelo PT. Na primeira eleição, em 2000, obteve 13.572 votos. Em 2004, sua votação para a reeleição como vereador pulou para 23.788. Em 2006, Babu conseguiu se eleger deputado estadual com 32.486, todos na zona oeste do Rio, região controlada pela ação miliciana.

O Ministério Público do Rio de Janeiro acusa Babu, o tenente-coronel da PM Carlos Jorge Cunha e mais nove pessoas de integrar a milícia que age nos conjuntos habitacionais da Rua Murilo Alvarenga (em Inhoaíba), Cesarinho (em Paciência) e na Comunidade da Foice.

Entre os acusados estariam um fuzileiro naval, um bombeiro, dois policiais militares e cinco moradores da zona oeste. Todos tiveram prisão preventiva pedida pelo Ministério Público, com exceção de Babu que tem foro privilegiado por ser deputado e só pode ser preso em flagrante.

Segundo o MP, o grupo utiliza-se de violência e grave ameaça, exercida com o emprego de armas de fogo, inclusive fuzis, e cobra dos moradores e comerciantes contribuições semanais, em dinheiro, que variam de R$ 10 a R$ 300, sob o pretexto de oferecer segurança.

A quadrilha impõe ainda, nas comunidades sob seu domínio, a exclusividade na aquisição de botijão de gás, que somente pode ser comprado em empresas por ela autorizadas. Além disso, o bando também controla a distribuição de sinal de TV a cabo (gatonet).

Veja também:

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