Polícia prende taxista acusado de matar italiano em AL

Roberto Puppo, de 42 anos, foi morto a tiros na noite de 26 de novembro às margens da rodovia BR-424

AE |

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A Polícia Civil de Alagoas prendeu hoje o taxista Madson Gomes Wanderley, conhecido como "Cabeça". Ele é acusado de participação no assassinato do italiano Roberto Puppo, de 42 anos, morto a tiros na noite de 26 de novembro às margens da rodovia BR-424 no município de Marechal Deodoro, região metropolitana de Maceió.

Em depoimento à polícia, Madson confessou que levou a vítima e os demais envolvidos no crime até a rodovia, onde parou o carro para que o italiano fosse executado com quatro tiros. Segundo o taxista, de 27 anos, a arma pertencia a Cosme Alves da Silva, segurança de eventos. Os tiros, no entanto, foram disparados pelo adolescente apreendido.

De acordo com as investigações, o assassinato de Roberto Puppo teria sido encomendado por outro italiano, identificado como Fabio Bertola, que é suspeito de pertencer a uma organização criminosa internacional e seria sócio da vítima em negócios na Itália. Segundo a Polícia Civil, a Interpol, a Polícia Internacional, teria sido comunicada sobre o assassinato de Puppo e já estaria a procura de Bertola.

As investigações realizadas pela Delegacia Geral da Polícia Civil e pela Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic) concluíram que Bertola planejou a execução do sócio, que entrou no Brasil com visto de turista em 18 de novembro. O suspeito também esteve em Maceió, mas entre os dias 24 e 31 de outubro, para definir os detalhes da trama, conforme as investigações.

Durante esse período, Bertola fez contato com Vanúbia Soares da Silva, de 30 anos, com quem mantinha um relacionamento amoroso há cinco anos. Ele teria pago R$ 2 mil para que ela providenciasse a execução de Puppo. A polícia também apurou que Vanúbia, então, contratou Cosme. O segurança preferiu chamar o menor de 17 anos para matar o italiano.

A polícia descobriu que a relação de Cosme com Vanúbia existia pelo fato do irmão dela, Paulo da Silva, atuar em práticas criminosas junto com o segurança de eventos. Ele seria o chefe do tráfico na região do Conjunto Joaquim Leão, no bairro do Vergel do Lago. Paulo foi, inclusive, um dos matadores do empresário e dono de churrascaria conhecido por "Bigode".

Vanúbia também está presa. Em depoimento à polícia, ela confirmou que na noite do crime apanhou o adolescente no Conjunto Joaquim Leão e, junto com o taxista, se dirigiram até a praia de Jatiúca, onde encontram com o italiano. De lá, todos rumaram em direção a Marechal Deodoro, passaram pelo posto da Polícia Rodoviária Estadual e seguiram até o local do crime.

O taxista simulou que havia problemas no pneu dianteiro, desceu do carro e abriu o porta-malas. O adolescente, também ouvido pela polícia, contou que foi o segundo a descer, com a arma do crime. Depois, Vanúbia teria pedido ao italiano que saísse para ajudar. Foi nesse momento que o menor sacou a arma - um revólver, calibre 38 - e efetuou quatro disparos: o primeiro nas costas, um na cabeça e outros dois quando Puppo já está caído.

Sócio 'mafioso'

De acordo com a polícia, Vanúbia teria relatado que a motivação do crime seriam "probleminhas" entre Bertola e a vítima na cidade de Bergamo, na Itália, onde ambos tinham negócios em sociedade. Ela teria dito também que conheceu Bertola há cinco anos em Natal (RN). A partir desse encontro, teriam iniciado um relacionamento amoroso. Vanúbia contou que chegou a passar cerca de 40 dias na casa do "namorado" na Itália, junto com familiares dele.

A policia revelou ainda que Vanúbia disse que Fabio Bertola não aparecia em Maceió há cerca de dois anos, quando decidiu voltar à cidade em outubro. Nesta oportunidade, o italiano teria lhe contado que ele havia entrado para uma "grande família" e que gostaria que ela fosse o "braço direito" dessa "família" em Alagoas, o que lhe possibilitaria uma grande ascensão econômica.

Vanúbia afirmou que Bertola ficou irritado quando ela lhe perguntou se essa "família" seria da "máfia italiana", mas lhe presenteou com um amuleto em forma de dragão, idêntico a uma tatuagem que ele tem no braço. O amuleto, segundo a polícia, é símbolo da chamada "máfia chinesa". Ela afirma ter visto vários outros amuletos na pasta do italiano, que lhe enviava entre R$ 800 e R$ 1 mil, por mês.

Ela contou ainda que Bertola disse que a "grande família" da Itália estava pronta para se instalar em Alagoas a partir de janeiro de 2011, momento em que ela seria "batizada" e receberia uma tatuagem do dragão no corpo, passando a fazer parte dessa "família" e comandar negócios ilícitos no Estado. Para que o plano se concretizasse, Vanúbia teria que intermediar o assassinato de quatro pessoas, e o primeiro da lista seria Roberto Puppo.

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