Polícia prende seis suspeitos de envolvimento com milícias no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ Seis pessoas foram presas em uma operação realizada, nesta sexta-feira, pela Delegacia de Repressão do Crime Organizado (Draco) para prender supostos integrantes de uma milícia que atua na zona oeste do Rio. Entre os presos, estão quatro policiais militares, um bombeiro e o tenente-coronel da PM Carlos Jorge Cunha. Segundo as investigações, a quadrilha era comandada pelo tenente preso e pelo deputado estadual Jorge Babu (PT).

Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio |

As investigações mostram que ele (Babu) dividia a gerência da quadrilha de milicianos com o policial militar (Carlos Cunha), afirmou a corregedora da Polícia Civil Ivanete Fernanda de Araújo.

De acordo com o comandante-geral da PM, comandante Gilson Pitta, Cunha era lotado na Diretoria Geral de Pessoal (DGP) da Polícia Militar e estava afastado de suas funções, pois já vinha sendo investigado por envolvimento com atividades ilícitas.

Já havia uma investigação referente à conduta disciplinar dele dentro da corporação, disse Pitta.

No total, foram expedidos 10 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão, sendo esses todos cumpridos. Na Favela da Foice, na zona oeste, os agentes apreenderam botijões de gás armazenados de forma irregular, máquinas caça-níqueis e um farto material de campanha do candidato a vereador Elton Babu (PT), irmão de Jorge Babu, na associação de moradores da comunidade.

Os policiais encontraram ainda na favela uma central clandestina de TV a cabo e algumas fichas com nomes de moradores, onde constavam pagamentos feitos por eles por serviços prestados pelos milicianos, como segurança, gás e gatonet. Segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, se os pagamentos não estivessem em dia, os moradores eram impedidos de receber remédios e correspondências.

A população não podia receber correspondências e remédios em casa se não tivesse em dia com determinados pagamentos. As pessoas também eram obrigadas a fornecer autorização para que propagandas eleitorais fossem fixadas em suas residências, revelou Beltrame, completando que essas informações serão repassadas ao TRE-RJ para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

Segundo Ivanete Araújo, as investigações mostraram que, em alguns casos, a população era obrigada a mudar sua zona eleitoral para votar nos candidatos apoiados pela quadrilha.

Na investigação há indícios fortíssimos de que as pessoas eram intimidadas a trocar o foro eleitoral para votar nesses candidatos, disse.

Ainda de acordo com as investigações, alguns homicídios foram realizados, como revelaram algumas escutas telefônicas, porém os nomes dos assassinos nem das vítimas foram citados nas conversas que a polícia teve acesso.

No decorrer das investigações foram feitas algumas interceptações telefônicas e elas mostraram que a milícia pediu a execução de determinadas pessoas, acrescentou o delegado da Draco, Cláudio Ferraz.

Para José Mariano Beltrame, a operação de hoje integra uma série de ações contra a atuação das milícias no Estado que ainda irão acontecer.

Essas operações não vão parar até porque existe de uma maneira muito nítida a ligação de uma atividade com outra, o que proporciona que continuemos nosso trabalho, finalizou.

Suspensão

Na última segunda-feira, a Executiva do PT no Rio suspendeu os direitos partidários de Jorge Babu por dois meses. A suspensão significa que o parlamentar não poderá participar de reuniões do PT nem se apresentar como representante do partido durante o tempo determinado.

Segundo o presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice, a bancada petista na Assembléia Legislativa vai decidir os limites da atuação do deputado como representante do PT no Legislativo. Cantalice disse ainda que a suspensão "é a punição máxima" prevista pelo estatuto, nesta altura do processo, quando ainda não há uma recomendação da comissão de ética.

Milícia

Jorge Babu era policial civil no bairro de Santa Cruz, onde nasceu e foi criado. Ele se elegeu duas vezes (2000 e 2004) vereador pelo PT. Em 2006, Babu conseguiu se eleger deputado estadual com 32.486 votos, todos na zona oeste do Rio, região controlada pela ação miliciana.

O Ministério Público do Rio de Janeiro acusa Babu, o tenente-coronel da PM Carlos Jorge Cunha e mais nove pessoas de integrar a milícia que age nos conjuntos habitacionais da rua Murilo Alvarenga (em Inhoaíba), Cesarinho (em Paciência) e na Favela da Foice.

Segundo o MP, o grupo utiliza-se de violência e grave ameaça, exercida com o emprego de armas de fogo, inclusive fuzis, e cobra dos moradores e comerciantes contribuições semanais, em dinheiro, que variam de R$ 10 a R$ 300, sob o pretexto de oferecer segurança.

A quadrilha impõe ainda, nas comunidades sob seu domínio, a exclusividade na aquisição de botijão de gás, que somente pode ser comprado em empresas por ela autorizadas. Além disso, o bando também controla a distribuição de sinal de TV a cabo (gatonet).

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