BELÉM - Oito pessoas foram presas nesta quarta-feira por suspeita de envolvimento no incêndio e na depredação do fórum e da delegacia de Viseu, no Pará, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado. Nesta terça-feira, a população local, revoltada com a morte de um menino de 16 anos, foi às ruas, invadiu e incendiou prédios públicos. Três homens da Polícia Militar são suspeitos na morte e já foram afastados da corporação, de acordo com a SSP.

Junto com os presos, seis armas e cinco motos foram apreendidas pela polícia. Nos escombros do fórum, 15 armas foram recolhidas nesta quarta.

Um inquérito foi aberto para apurar quem participou da revolta, já que processos e provas do fórum foram queimados e armas e computadores foram levados, segundo a SSP. Segundo Emano Vilaça, da SSP do Pará, o inquérito foi aberto também para apurar o porquê da escolha do fórum.

O juiz da comarca, César Augusto Rodrigues, teve que pular o muro da casa onde mora, ao lado do fórum, para fugir do local durante a revolta da população e teve que deixar a cidade de helicóptero, segundo a SSP. A residência dele foi saqueada. Todos os processos que estavam no local foram queimados, inclusive os eleitorais.

Um promotor da cidade também teve que deixar a cidade em um helicóptero. Os dois seguem afastados da cidade até que se apurem os responsáveis pela depredação e os saques, informou Vilaça.

Outros prédios públicos foram apedrejados e veículos destruídos pela multidão. Três militares envolvidos no crime foram afastados das funções e retirados da cidade.

A Polícia Militar (PM) enviou reforço de 70 homens do Comando de Missões Especiais, de Belém, para restabelecer a ordem na cidade. "É lamentável o que aconteceu. Me senti uma autoridade impotente e tive que contemplar a destruição do fórum", disse o juiz.

Morte

A morte do jovem ocorreu na noite desta segunda-feira, quando policiais receberam denúncia anônima de que um grupo de jovens fumava maconha em uma rua do bairro Piçarreira, na periferia da cidade.

Os militares foram para o local, mas ao dar voz de prisão ao rapaz, os agentes alegaram terem sido hostilizados pelo adolescente, que estaria empunhando uma faca. O cabo conhecido por Dos Santos disse que houve luta corporal com o jovem. Um tiro teria sido disparado por um PM em "legítima defesa".

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