Polícia pega quadrilha que desviava ingressos no Rio

A Polícia Civil fluminense desbaratou uma quadrilha que funcionava na BWA/Ingresso Fácil, empresa responsável pela produção e comercialização de ingressos para jogos de futebol, e apreendeu oito mil ingressos para o jogo de amanhã entre Flamengo e Grêmio, que deve decidir o Campeonato Brasileiro. As entradas fazem parte de um lote que todo clube é obrigado, por uma lei estadual, a destinar gratuitamente a idosos, crianças e portadores de necessidade especiais.

Agência Estado |

Esses ingressos, serão distribuídos no Maracanã amanhã, a partir das 13 horas, sob a supervisão da Polícia, para que não haja ação de cambistas.

Hoje de manhã, dez acusados - seis funcionários do alto escalão da empresa e quatro cambistas, sendo um deles guarda municipal - foram presos numa operação batizada "Gol de Mão". As investigações começaram em setembro. Desde então, foram monitoradas as principais partidas ocorridas no Rio. O nome da empresa não foi revelado pela polícia, porque o inquérito corre sob sigilo de Justiça. Mas a própria BWA divulgou na internet uma nota sobre o caso, na qual seu diretor Bruno Balsimelli informa que está colaborando com a Polícia "na busca por pessoas que fraudam esses ingressos."

Balsimelli foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado para dar entrevista. O Flamengo, o Fluminense e o Vasco, times do Rio que trabalham com a BWA, preferiram não se pronunciar sobre o assunto.

De acordo com o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), Rodrigo Oliveira, o esquema funcionava assim: de todos os ingressos que produzia para determinado jogo, a empresa, que tem escritório dentro do Maracanã, separava cerca de 20% e repassava a cambistas. Do jogo de amanhã, por exemplo, teriam sido desviados 15.200 ingressos. O ágio chega a 650% nas arquibancadas. Um lugar na verde ou na amarela, que vale R$ 40, seria vendido pelos cambistas a R$ 300. A cadeira especial, que custa R$ 180, pode sair por R$ 500, com ágio superior a 170%.

Segundo Oliveira, os ingressos desviados pelo bando são autênticos e válidos, mas não chegam às bilheterias porque vão direto para os cambistas. Daí a dificuldade dos torcedores para adquiri-los legalmente. O material apreendido - documentos, computadores, ingressos, celulares e até duas armas - estava com duas pessoas apontadas como chefes do esquema. Um dos mandados de prisão não foi cumprido. Seria contra um cambista.

Presos na capital, Nova Iguaçu, na Baixada, e em São Gonçalo, os acusados incorreram em crime contra a economia popular e formação de quadrilha. Se condenados, podem pegar até cinco anos de prisão. Polícia acredita que a quadrilha esteja em atividade há mais de dez anos.

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