Polícia pede quebra de sigilo telefônico de tia de Isabella

SÃO PAULO - A polícia pediu na noite desta quinta-feira, 10, a quebra de sigilo telefônico da irmã de Alexandre Nardoni, Cristiana Nardoni. Está sendo avaliado o depoimento de uma testemunha que teria procurado a delegacia da Moóca alegando ter ouvido a irmã de Alexandre dizendo que o irmão ¿teria feito uma grande besteira¿. A testemunha alegou estar em uma festa de confraternização com a irmã de Alexandre, na noite de crime.

Carolina Garcia, do Último Segundo |

AE
Muro pichado em frente ao residencial London
Em entrevista à TV Bandeirantes, a tia da menina nego ter mencionado a frase. "Essa testemunha é mentirosa porque em momento nenhum eu disse isso, até porque eu não sabia o que estava acontecendo. Em segundo ponto, eu não atendi meu celular na frente de ninguém", afirmou.

Ela disse que na noite do dia 29, logo após Isabella ser encontrada no jardim do prédio onde o pai mora com a madrasta Anna Carolina Jatobá, recebeu uma ligação do pai avisando sobre o que havia acontecido mas, com o barulho do bar, que tinha "música ao vivo", desligou o aparelho e decidiu ligar para o pai de um banheiro. "Por isso eu digo: ninguém me ouviu falar. E essa afirmação é mentirosa, porque em momento nenhum eu disse isso."

Lista de defesa

O advogado de defesa de Alexandre e Anna Carolina, Marco Pólo Levorin, afirmou nesta noite, na 9° DP do Carandiru, que levou aos policiais uma lista contendo nomes de novas testemunhas que podem auxiliar na investigação e outras que podem comprovar a vulnerabilidade do prédio.

Segundo Levorin, são pessoas que gostaríamos que fossem ouvidas, pois acreditamos que elas ajudarão a esclarecer algumas situações.

Ao ser questionado sobre a fala meu irmão acabou de fazer uma besteira, supostamente dita por Cristiane, o advogado afirmou que desconhece a veracidade da informação. Levorin ressaltou ainda que a lista de novas testemunhas contém pessoas que segundo a pópria Cristiane estavam com ela na festa na noite do crime.

Após vinte minutos de permanência na delegacia, o advogado deixou o local afirmando que não teve acesso aos depoimentos e que só foi deixar a lista de testemunhas.

Quebra de sigilo do casal

Reprodução
Testemunhas teriam ouvido detalhes na noite do crime

Na análise de quebra de sigilo telefônico do casal, foram constadas que as duas primeiras ligações feitas por Alexandre foram para o pai dele e para o pai de Anna Carolina Jatobá. A polícia também concluiu que as três primeiras ligações para o resgate partiram de vizinhos.

Ainda na noite desta quinta-feira, a polícia passou a afirmar que 70% das investigações sobre a morte da garota foram concluídas. Nesta tarde, foi divulgado pelo jornal "SPTV" que 99% do caso já tinha sido solucionado.

Novas testemunhas

Duas testemunhas procuraram o delegado-titular do 8º Distrito Policial (Brás), Roberto Pacheco de Toledo, na noite de quarta-feira, com revelações sobre a morte de Isabella. Elas disseram que ouviram de familiares de Alexandre Nardoni detalhes sobre o que ocorreu na noite do crime.

Ex-titular do 9º DP (Carandiru), Toledo conheceu as testemunhas quando trabalhava na delegacia que hoje investiga a morte de Isabella. Elas o procuraram porque confiam no policial e queriam sigilo sobre seus depoimentos. Toledo avisou seus superiores. No fim da tarde de ontem, o atual delegado-titular do 9º DP, Calixto Calil Filho, deslocou-se até o 8º DP para ouvi-las.

Manchas de sangue

Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) ainda não concluíram a análise das manchas menores encontradas no carro do pai de Isabella, Alexandre Nardoni. Como esses vestígios, chamados pelos técnicos de substância hematóide, são pequenos, os peritos decidiram não fazer o exame de constatação de sangue, pois não sobraria material para a realização do exame de DNA. Eles decidiram partir direto para a análise de DNA.

Na tarde de terça-feira, os peritos estiveram no apartamento do casal. Ao mesmo tempo, outros técnicos começaram o seqüenciamento do DNA de Isabella - a amostra de sangue da menina chegou na segunda-feira ao instituto. Os peritos mantêm uma postura de cautela em relação aos exames. "Não temos nada concluído e só vamos nos manifestar depois da conclusão de todos os laudos", afirmou o superintendente de Polícia Científica, Celso Perioli.

Os técnicos constataram ainda por meio de um exame de contrastes de imagens que alguém pisou no lençol da cama do quarto em que a menina teria sido atirada. Há no pano a marca da ponta de um solado, aparentemente de sapato. Quem pisou no lençol não apoiou seu calcanhar no tecido, deixando uma pegada incompleta.

As marcas, porém, diferem do calçado que Nardoni usava no dia do crime. Imagens do supermercado Sam's Club, horas antes da morte de Isabella, e da saída do Edifício London, logo após o crime, mostram Alexandre com um chinelo.

Os peritos do IC recolheram pares de sapato de Alexandre e Anna Carolina para comparar com a pegada deixada no lençol. A sola do chinelo de Alexandre também deve ser comparado. Para os peritos, o resultado sobre a presença da pegada é apenas um dado a mais na investigação. As informações são do "Jornal da Tarde".

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou, desde o princípio, a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

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