RIO DE JANEIRO ¿ O delegado titular da 4ª DP (Praça da República), Ricardo Dominguez, vai ouvir, nesta terça-feira, oito dos 11 militares do Exército presos por envolvimento na morte de três jovens no Morro da Providência, na zona Portuária do Rio. A audiência acontecerá no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, por questões de segurança e para não atrapalhar as investigações. Nesta quarta-feira, o delegado deve ouvir na 4ª DP as testemunhas civis do caso.

Para avançar nas investigações, o delegado deve pedir a quebra de sigilo telefônico de todos os envolvidos. Com a lista completa das ligações e a movimentação das antenas de cada um, a polícia saberá quem mantinha contatos ou costumava freqüentar as comunidades do Estácio, Catumbi e Rio Comprido, dominadas pela facção Amigos dos Amigos (ADA), rival do Comando Vermelho (CV), que controla o Morro da Providência.

Segundo informações da polícia, três militares confessaram, na segunda-feira, que, após deter os rapazes por desacato, levaram os jovens para a o Morro da Mineira, controlado por uma facção rival, como uma forma de castigá-los.

Policiais do Exército e moradores do Rio em confronto ontem à noite 

Jobim vai acompanhar investigações

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, embarcou, na manhã desta terça-feira, para o Rio de Janeiro, conforme informou a assessoria de imprensa da pasta, em Brasília.

A decisão foi tomada pelo ministro após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, para relatar o envolvimento de militares na ação que resultou na morte dos jovens.

O trajeto do ministro ainda não foi estabelecido, mas há uma probabilidade de que Jobim faça uma visita ao Morro da Providência, onde aconteceram protestos contra a morte dos três rapazes.

Na segunda-feira, o ministro classificou de "inconseqüente, inadmissível e que deverá ser repreendida de forma exemplar" a ação dos militares do Exército envolvidos no episódio. Ele não respondeu, no entanto, se os 11 militares serão expulsos da instituição, afirmando apenas que poderão responder por homicídio.

Morro da Providência

A situação no Morro da Providência, nesta terça-feira, é tranqüila. O policiamento no local está reforçado para evitar que moradores da comunidade façam novas manifestações em protesto contra a morte dos três jovens. Cerca de 50 agentes estão no entorno no morro.

O Hospital dos Servidores do Estado, que ontem ficou fechado por um período, funciona normalmente.

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

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