Polícia Militar detém oito camelôs por protestos na rua 25 de Março, em SP

SÃO PAULO ¿ Camelôs insatisfeitos com a presença da Polícia Militar na região da rua 25 Março, no centro da capital paulista, protestaram novamente nesta quinta-feira utilizando, principalmente, ovos, cocos e bolinhas de gude. Segundo o tenente coronel da PM Orlando Taveiros, oito pessoas foram detidas.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Na quarta-feira, outras oito pessoas foram levadas à delegacia, incluindo algumas menores de idade. De acordo com o coronel, duas mulheres que faziam compras na região ficaram feridas: uma delas teve um corte na orelha e a outra no supercílio. Taveiros afirma que instaurou inquérito para verificar se elas se machucaram pela ação da polícia ou dos camelôs.

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Policiais usam escudos para se protegerem na 25 de Março

O protesto dos camelôs teve início na manhã de quarta-feira quando a Polícia Militar chegou ao local para realizar fiscalização. Um convênio firmado entre a Prefeitura e a Secretaria da Segurança Pública do Estado transferiu à PM a tarefa de combater o comércio irregular na área. Antes, o serviço era realizado pela Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Segundo Taveiros, cerca de 200 pessoas participaram dos protestos ontem. Elas queimaram papelões e tentaram interditar ruas. Ao mesmo tempo, gritavam palavras de ordem e intimidavam lojistas a baixarem as portas. Algumas lojas ficaram fechadas durante todo o dia.

A Polícia Militar revidou com bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Nesta quinta-feira, o protesto foi menor e contou com cerca de 40 manifestantes, segundo ele. O tumulto foi controlado sem a ajuda de artefatos.

Conforme Taveiros, um policial ficou ferido, por volta das 12h, quando um homem teria tentado tomar sua arma. Um rapaz tentou pegar a arma do agente, os dois entraram em luta corporal e o sujeito foi algemado. Já dentro da viatura, ele deu um chute no rosto do policial, afirma. O homem foi levado ao 1º Distrito Policial da capital pelos crimes de desacato e lesão corporal.

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Manifestantes colocam fogo em protesto na Rua 25 de Março

Manifestantes colocaram em caixas na quarta-feira

Taveiros afirma que muitas das pessoas que protestavam se diziam líderes dos comerciantes, mas, na verdade, não o são. Um dos camelôs nos disse que não é contra a polícia, mas que trabalha há 18 anos na 25 de Março e nunca conseguiu se legalizar. É um problema social que se transformou em policial, afirma.

Apesar de dizer reconhecer a situação precária de alguns dos trabalhadores, Taveiros garante que a Polícia Militar não afrouxará a fiscalização. Vamos fazer cumprir a lei.

Nesta quinta-feira, 320 homens realizam o policiamento na região da 25 de Março. A cavalaria da Polícia Militar também está no local para dar suporte à operação. A cavalaria ajuda por ter uma visão panorâmica do que está acontecendo, diz.

Para sexta-feira, segundo o coronel, o efetivo de policiais deve se manter em 320, e a fiscalização será das 6h às 19h. No sábado, como a região recebe um número muito grande de pessoas em razão das compras de Natal, o policiamento deve aumentar entre 10 a 20% e será realizado com carros da força tática.

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