Polícia mantém tese de latrocínio em morte de secretário

A Polícia Civil reafirmou hoje que o ex-secretário da Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos, 63 anos, foi morto em tentativa de assalto e não por encomenda, como sustenta o Ministério Público Estadual (MPE). Na quinta-feira, o MPE denunciou oito pessoas à Justiça como mandantes, intermediários, ajudantes e executores do assassinato.

Agência Estado |

"Temos três pessoas que estão presas sem terem ligação com o crime", afirmou o diretor do Departamento de Investigações Criminais, delegado Ranolfo Vieira Junior, referindo-se a três indiciados pelo Ministério Público que tiveram suas prisões preventivas decretadas pela Justiça. Outros dois suspeitos, participantes diretos do ataque a Santos, já haviam sido presos pela Polícia Civil durante a investigação.

Revoltados com as diligências complementares ao inquérito e com a posição divergente do MPE, os policiais acusaram os promotores de terem se apaixonado por uma das teses investigativas. Reiteraram, no entanto, que as provas técnicas que colheram apontaram para uma tentativa frustrada de assalto seguida de tiroteio e morte da vítima.

A promotora de Justiça do Tribunal do Júri Lúcia Helena de Lima Callegari disse que investigações complementares ao indiciamento da polícia são rotineiras. E manteve a posição da instituição, que entende que os donos da empresa de segurança Reação, inconformados com o rompimento do contrato que mantinham até o início de 2009 com a secretaria, contrataram assaltantes para matar Santos no dia 26 de fevereiro.

Segundo a promotora, a apuração mostrou que Santos havia sofrido ameaças depois de encerrar o contrato com a empresa por ter descoberto que ela pagava propinas a um funcionário da secretaria para manter o vínculo.

CPI

Os episódios vividos na Secretaria da Saúde de Porto Alegre levaram a oposição a pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a pasta na Câmara de Vereadores da capital gaúcha. O requerimento do vereador Pedro Ruas (PSOL) obteve 11 das 12 assinaturas necessárias, mas tem escassas chances de conquistar a 12ª adesão. Todos os outros 15 vereadores são da base de apoio à prefeitura e não estão dispostos a abrir espaços para a oposição desgastar o governo em ano eleitoral.

Além da relação da secretaria com a Reação e do suposto pagamento de propina pela empresa ao ex-funcionário da secretaria Marco Bernardes, que nega a irregularidade, a oposição quer esclarecer desvios que teriam sido feitos por um funcionário do Instituto Sollus, responsável pela coordenação do Programa de Saúde da Família no município até agosto de 2009, quando foi dispensado por prestação de contas que a prefeitura considerou inadequada.

"Há estimativas indicando que a prefeitura foi lesada em R$ 9,6 milhões desde 2007", diz Ruas. O líder do governo, João Dib (PP), entende que não é hora de abrir uma CPI. "Não temos melhores condições que o Ministério Público e a Polícia Federal para investigar esses casos", justifica.

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