A Polícia Civil de Minas Gerais informou que já tem o retrato falado do suspeito de estuprar e matar ao menos três mulheres da região metropolitana de Belo Horizonte. O desenho foi feito com base no depoimento de uma possível testemunha de um dos crimes, mas não será divulgado pela polícia porque o relato era ¿vago¿ e para que não seja limitado o número de suspeitos investigados. A testemunha afirma ter visto o homem, com as características descritas a policia, perto do carro de uma das vítimas assassinadas.

Responsável pelas investigações, o delegado Frederico Raso afirma não ter divulgado até agora o número de suspeitos para não comprometer as investigações. Ele diz, porém, que todos eles estão sendo monitorados. Até o momento, ninguém foi preso.

Os crimes, segundo a polícia, envolveram mulheres de Contagem (MG) e ocorreram em situações semelhantes. A conclusão foi feita com base no material genético recolhido. A polícia suspeita ainda que outros dois crimes tenham sido praticados pelo mesmo maníaco. As mortes ocorreram entre abril e novembro do ano passado.

Segundo o delegado, muita gente procurou a polícia nos últimos dias para relatar casos de abordagem. Ele acredita que essas pessoas podem ter ficado impressionadas com as noticias divulgadas sobre o caso, mas lembra que o criminoso responsável pelos crimes relatados não abordava as vítimas para praticar roubo, e sim para estuprar e matar.

"Minha mãe era uma pessoa tranqüila. Não foi vingança, nem sequestro. Só levaram o celular. Deixaram cartões e dinheiro. O que ainda não sabemos é a motivação do crime, mas sabemos que algum motivo o assassino tem. É um maníaco que busca sempre mulheres bonitas e bem sucedidas", diz a estudante Layanne Cordeiro de Freitas, de 15 anos, filha da contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, assassinada em novembro aos 35 anos. Edna é uma das três vítimas atacadas por um maníaco sexual.

Layanne afirma que a mãe jamais relatou qualquer desconfiança de que pudesse estar sendo perseguida. Segundo a estudante, Edna saía de casa todo dia, por volta das 10h, e chegava no início da noite. Segundo a polícia, ela foi morta após deixar a faculdade onde trabalhava. O carro foi abandonado perto da região e seu corpo, encontrado no dia seguinte ao crime, numa estrada no município vizinho. "A gente se falava todo dia. Quando chegava da escola, ligava para ela".

Lyanne conta que, após o crime, teve medo de que o maníaco pudesse voltar. "No celular tinham muitas fotos nossas juntas. Fiquei muito insegura". A orientação da polícia, conta ela, foi para que a família mantivesse a tranquilidade em casa. Ela conta que não mudou a rotina após o crime e espera que, com a confirmação, pela polícia, de que o assassinato de ao menos outras duas mulheres tenham sido praticados pela mesma pessoa, o caso seja resolvido o quanto antes.

Mortes

AE
Polícia fala sobre o caso em Minas

Polícia fala sobre o caso em Minas

O primeiro caso registrado pela policia é de Ana Carolina Assunção, de 27 anos. Ela foi encontrada estrangulada dentro do seu próprio carro no dia 16 de abril. O crime chocou os mineiros: seu filho, um bebê de apenas um ano, estava no veículo e foi encontrado ao lado do corpo da mãe. No dia 17 de setembro, Maria Helena Aguilar, de 49 anos, foi encontrada estrangulada dentro de seu carro.

A expectativa da polícia é que outras vítimas do maníaco que tenham conseguido escapar possam aparecer para fornecer informações.

A notícia fez moradores de Belo Horizonte relembrarem outra série de estupros e assassinatos de mulheres no início da década. Entre 1999 e 2001, 12 mulheres foram assassinadas na região próxima ao campus da Universidade Federal de Minas Gerais. Os casos nunca foram solucionados. A autoria dos crimes e até hoje ignorada, mas a polícia descarta que tenham sido praticados pelo maníaco que tem agido na região desde o ano passado.

(*com informações da Agência Estado)

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