Polícia investiga mais de 85 mortes sem explicação no litoral de São Paulo

A saúde do Guarujá agora é caso de polícia. Surpreendido com o aumento de número de Boletins de Ocorrência (BO) de morte suspeita, o delegado titular do município, Cláudio Rossi, instaurou um inquérito coletivo para apurar as causas de mais de 85 mortes ocorridas em fevereiro.

iG São Paulo com Agência Estado |

"É normal o registro de BO de morte suspeita, mas, em fevereiro, esse número mais que dobrou. Somado a isso, há o fator dengue, com muitas reclamações de pessoas que tiveram alguns familiares mortos", disse o delegado.

De acordo com ele, os BOs de morte suspeita são registrados sempre que os médicos não fornecem atestados de óbito, seja porque não tiveram tempo ou porque o paciente passou mal em casa e chegou ao Pronto Socorro morto.

"Algumas pessoas já relataram que, quando estavam registrando o BO, seus familiares foram mal atendidos, ou que foram dispensados e depois morreram", diz o delegado, afirmando, entretanto, que no momento da dor da perda, é comum os familiares se revoltarem contra o sistema de saúde sem que esse seja necessariamente culpado.

No entanto, em mais de 30 anos na polícia, Rossi nunca viu tantos casos de morte suspeita em um único mês e por isso optou pelo inquérito. "Nós vamos apurar para ver se houve imperícia médica, omissão de socorro ou falta de vaga nos hospitais da região", afirmando que, embora a falta de vaga não seja crime, o Ministério Público precisa saber se tal informação confere para tomar as providências cabíveis.

Entre os casos apurados, há mortes na rede pública e na rede privada. O delegado vai ouvir depoimentos de familiares das vítimas, médicos e responsáveis pelas unidades de saúde onde elas foram atendidas. Além disso, a Polícia Civil vai avaliar as fichas médicas e os laudos técnicos sobre o estado de saúde de cada paciente que veio a óbito.

Leia mais sobre: mortes

    Leia tudo sobre: mortes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG