RIO DE JANEIRO ¿ A secretaria estadual de Segurança do Rio informou nesta sexta-feira que um inquérito já foi instaurado pela 21ª DP (Bonsucesso) para investigar a morte do menino Mateus Rodrigues Carvalho, de oito anos. A criança morreu nesta quinta-feira com um tiro de fuzil no pescoço durante uma operação policial na favela Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, zona norte do Rio.

Acordo Ortográfico

De acordo com a secretaria de Segurança, a bala que atingiu o menino passará por uma perícia e, se ficar comprovado que os policiais foram responsáveis pela morte de Mateus, eles serão devidamente punidos e responderão administrativamente e criminalmente pelo ocorrido. O órgão informou ainda que os soldados do 22º BPM (Maré), que participaram da ação na favela Baixa do Sapateiro, entregaram as armas para que elas sejam avaliadas. O resultado do exame de balística das oito armas apreendidas deve sair em 30 dias.

Mateus foi enterrado nesta sexta-feira no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona portuária do Rio . Cerca de 200 pessoas, entre parentes e amigos, estiveram presentes no sepultamento com camisas brancas, carregando bolas e cartazes. A família da vítima sustenta a versão de que policiais militares foram os autores do disparo que mataram o menino. Mateus saía para comprar pão quando foi baleado na porta de casa .

AE
ae

Moradores acusam policiais militares de efetuarem os disparos que matou o menino

Após o assassinato, o Corpo de Bombeiros tentou remover o corpo da criança, mas foi impedido por familiares que exigiam a presença de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Houve tensão no local e moradores atiraram bombas artesanais nos policiais, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo. Manifestantes fecharam a Linha Vermelha, uma das principais vias expressas do Rio, por dez minutos. Eles ainda incendiaram um carro, interditando a Linha Amarela, por cerca de 40 minutos.

Ontem, a Polícia Militar divulgou uma nota esclarecendo o ocorrido durante a operação. De acordo com a PM, pela manhã houve um confronto entre traficantes de facções rivais nas favelas Baixa do Sapateiro e Nova Holanda. Por causa do conflito, os soldados do 22º BPM foram ao local, mas, segundo a nota, eles não usaram armas e só ficaram sabendo da morte do menino na 21ª DP, durante o registro do material apreendido na ação.

Segundo a nota divulgada, a PM em suas ações tem primado pelo planejamento meticuloso baseado em recursos oriundos da área de inteligência, visando exatamente evitar confrontos que levem a perda de vidas.

Uma investigação será feita para averiguar se o confronto entre os traficantes rivais aconteceu próximo à casa de Mateus. O resultado poderá esclarecer se a criança pode ter sido vítima de uma bala perdida proveniente do tiroteio entre os traficantes. Familiares do menino querem agendar um encontro com o governador do Rio, Sérgio Cabral.

Veja também:

Leia mais sobre: violência no Rio

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.