A polícia do Rio já identificou cinco pessoas que participaram do ataque incendiário a um micro-ônibus na Estrada General Miguel Mendes Salazar de Moraes, às margens da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na zona oeste. Doze pessoas ficaram feridas, das quais seis permanecem internadas em estado grave.

Hoje, uma testemunha fez o retrato falado do suposto líder do atentado, e uma das vítimas prestou depoimento na 32ª Delegacia de Polícia.

De acordo com Anne Andrade Lima, de 18 anos, cerca de 20 pessoas apedrejaram o ônibus e quatro homens jogaram combustível e atearam fogo no veículo. Ela confirmou que uma mulher fez sinal para que o motorista parasse. "Minha filha ficou muito nervosa e não lembra de muitos detalhes. Ela ficou presa no ônibus em chamas e, quando saiu pela janela, caiu de boca no chão e desmaiou", disse a mãe da vítima, Rosângela Andrade, de 47 anos.

A polícia investiga se o traficante David Gomes da Silva, de 23 anos, que após o ataque se refugiou no Morro da Chatuba, na Penha (zona norte), foi morto por comparsas como punição por ter incendiado o coletivo com passageiros dentro. Nesta tarde, a Polícia Militar recebeu informações que os corpos de dois homens estavam no interior da favela, mas eles não foram encontrados. Ainda não está confirmado pelas investigações se o ataque foi uma represália à prisão de Leandro Oliveira da Silva, de 19 anos, com 75 papelotes de cocaína, na Cidade de Deus.

Feridos

Entre os feridos, os casos mais graves são os das universitárias de 21 anos Laís Melo Rodrigues, que teve 48% do corpo queimado, com lesões pelo tórax, mãos e pescoço, e Ana Sheila Souza Silva, cujas queimaduras atingiram 40% do corpo (mãos, face e tórax.) Estudante de direito e operadora de telemarketing, Ana permanece internada no Hospital Cardio-Trauma, em Ipanema, zona sul. A mãe dela, Glória Souza, continua em estado de choque e não falou com jornalistas.

Segundo parentes e amigos que a visitaram na unidade de saúde, ela mora em Realengo e voltava do trabalho, na Barra da Tijuca (bairro vizinho a Jacarepaguá). Ela contou que só escutou o barulho da confusão e na correria entre os passageiros foi derrubada. Ana foi uma das últimas a sair do ônibus em chamas. "Uma das preocupações da família é que possivelmente Ana precisará de uma cirurgia estética no rosto", disse uma amiga da estudante, que preferiu não se identificar.

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