Polícia gaúcha veta salva-vidas tatuado

Corporação diz que "boa apresentação pessoal" é exigência do serviço militar

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Por usarem tatuagens em braços, pernas e outras partes do corpo que ficariam expostas durante o trabalho, 13 candidatos a salva-vidas civis temporários foram reprovados na seleção que vem sendo feita pela Polícia Militar do Rio Grande do Sul. Um protesto chegou a ser realizado pelos reprovados. A corporação admite a revisão da regra, mas diz que a "boa apresentação pessoal” é uma exigência do serviço militar.

“Essa questão não é nova e sempre constou em nossos editais. Não é uma conduta isolada nossa, mas observada pela maioria das instituições militares do Brasil”, sustenta o coronel Walmor Araújo de Mello, Chefe do Estado Maior da Brigada Militar, a PM gaúcha.

Nesta segunda, candidatos a salva-vidas civis na praia do Cassino, em Rio Grande, protestaram depois de terem sido reprovados. Eles possuem tatuagens em braços e pernas, que não seriam cobertas pelo uniforme dos salva-vidas: uma sunga e uma regata. A exigência consta no edital da seleção, publicada em dezembro.

Segundo o coronel Walmor, a regra também vale para os policiais de carreira, mas muitos usam tatuagens, encobertas pela farda. “Quem trabalha na atividade de polícia vai andar com o corpo totalmente coberto”, explica.

A Brigada Militar conta com cerca de 1,2 mil policiais e bombeiros trabalhando como salva-vidas neste verão. Para reforçar o contingente, foram abertas 600 vagas para civis temporários. Apenas 107 se candidataram e, destes, 13 foram cortados por usarem tatuagens.

O coronel Walmor admite que a rigidez quanto ao uso de tatuagens possa ser revista nas próximas seleções de salva-vidas civis, mas sustenta que a “apresentação pessoal” é uma norma do serviço militar. “É algo a ser avaliado por quem tiver essa atribuição nos próximos concursos. Mas questões como o cabelo, o bigode aparado e a apresentação pessoal são próprias do regime militar”, afirma. Mesmo com a falta de pessoal, o coronel justifica que habilitar os 13 candidatos reprovados não resolveria o problema.

Dados desta segunda-feira mostram que os salva-vidas gaúchos já realizaram 2,3 mil salvamentos desde o início da chamada “Operação Golfinho”, desenvolvida pela Brigada Militar no litoral e nos balneários de água doce. Até o momento, foram registradas seis mortes por afogamento, além de dois corpos encontrados na água que não necessariamente morreram afogados.

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