Polícia Federal reconduz dois delegados à Operação Satiagraha, diz TV

SÃO PAULO - A Polícia Federal reconduziu ao caso dois delegados que teriam sido afastados da Operação Satiagraha, segundo informações do Jornal Nacional, da Rede Globo. Carlos Eduardo Pellegrini e Karina Murakami Souza teria sido convidados a continuar no caso após uma reunião na sede da PF em São Paulo.

Redação |


Segundo a TV, eles ouviram de um diretor que, em nome da imagem da instituição, era preciso desfazer o mal estar provocado pelas noticias do afastamento da equipe. O delegado que comanda as investigações, Protógenes Queiroz, não teria sido convidado para retornar ao caso. Ele ainda não se pronunciou oficialmente sobre seu afastamento.

Gravações

AE
Protógenes ainda não falou sobre afastamento
Nesta quinta-feira, a Polícia Federal divulgou gravações da reunião entre o delegado Protógenes Queiroz e seus superiores, na qual teria se decidido pelo afastamento do delegado do caso.

Porém, os áudios, alguns editados e com trechos inaudíveis, não esclarecem se houve pressão da cúpula da PF ou se Protógenes deixou clara sua opção pessoal para desistir do caso. (Leia a transcrição e ouça os áudios aqui )

As gravações distribuídas pela direção da Polícia Federal em Brasília têm o objetivo de confirmar a decisão de Protógenes de iniciar um curso de formação em Brasília e, com isso, abandonar o comando do inquérito da Satiagraha ¿ até por declaração pública do presidente Lula, que disse não aceitar insinuações sobre pressões governamentais para retirar Protógenes do caso e abafar revelações das investigações.

Mas os trechos da reunião divulgados não ajudam a esclarecer as circunstâncias do afastamento do delegado. Protógenes chegou até a manifestar seu interesse em continuar, mas sem comandar o inquérito, e elogiou alguns de seus superiores pelo apoio na realização da Operação Satiagraha.

E até mesmo depois da Academia [onde fará o curso, em Brasília] eu não pretendo. Minha proposta é: eu fico até o final da operação, até o final. Eu criei um problema com meus colegas delegados, que é um grande problema, e acredito para você também, e a minha proposta é essa, permanecer vinculado ao seu gabinete [atual] até o final do trabalho, para não ficar aquela pecha de que Brasília vem fazer operações nos estados e deixa no meio do caminho. As minhas nunca ficaram no caminho e (...) essa não vai ficar. Mas eu não vou ficar presidindo, eu não pretendo presidir nenhuma investigação, ficaria aí no apoio de um trabalho (inaudível), coletando dados, analisando, disse Protógenes Queiroz na gravação.

Culpa

Os áudios revelam uma admissão de culpa feita por Protógenes Queiroz em relação aos vazamentos de dados do inquérito à imprensa. Esse foi, inclusive, um dos motivos da tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo ¿ o presidente do Supremo criticou as suspeições criadas em relação aos investigados a partir de matérias jornalísticas.

Foi no momento de elogiar seus superiores que o delegado apontou os próprios erros.

Eu não preciso nem falar em relação ao Dr. Troncon [diretor do Departamento de Combate ao Crime Organizado da PF], que é um chefe ímpar. Eu devo praticamente 100% da execução dessa operação a dois homens de bem dessa Polícia Federal. Primeiramente eu destaco o Dr. Roberto Troncon, depois o Dr. Leandro, em terceiro, como coadjuvante dos dois, não poderia esquecer aqui o Dr. Luis Fernando Corrêa [diretor-geral da PF], que eu prezo e tenho carinho muito grande, ele era sabedor da operação e correu tudo bem. Na minha avaliação, tirando os erros que estamos avaliando aqui hoje, é uma avaliação de erro para nós corrigirmos e nos policiarmos, não é? Houve a presença da imprensa aqui em São Paulo? Houve. Falhou? Falhou. Quem falhou? Queiroz falhou, porque o Dr. Troncon me depositou [confiança] e eu firmei compromisso com ele, mas falhou o meu controle, reconheceu Protógenes.


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