Polícia Federal prende 21 suspeitos de pedofilia na internet

Operação Tapete Persa já é a maior realizada no País contra pedofilia na internet. Entre os presos, há um coronel da PM

iG São Paulo |

Divulgação
Material apreendido durante a operação no Rio Grande do Sul

Subiu para 21 o número de presos pela Polícia Federal, na terça-feira, por suspeita de abusar sexualmente de crianças e praticar pedofilia na internet. Ao todo, 81 mandados de busca e apreensão foram expedidos em nove Estados e no Distrito Federal.

De acordo com o órgão, das prisões efetuadas até o momento, 13 ocorreram em São Paulo. Outras três pessoas que não estavam em casa quando os policiais chegaram foram indiciadas.

A PF confirmou que um coronel da Polícia Militar é um dos presos, mas ele não teve o nome divulgado. Policiais encontraram também na casa de alguns dos suspeitos maconha e anabolizantes.

"É um recorde de prisões em flagrante em relação a todas as operaçãos que a PF já fez de pedofilia na internet. Para gente, é um marco, um marco negativo, porque gostaríamos que as pessoas não praticassem esse delito abjeto", afirmou o delegado Stênio Santos Souza, do Grupo Especial de Combate aos Crimes de Ódio e à Pornografia Infantil na Internet (Gecop).

O delegado afirma que, além de crianças, nas imagens apreendidas há também bebês sendo abusados sexualmente por adultos. "São imagens degradantes que fazem com que a gente perceba que hoje há menos humanidade no mundo", lamentou e pediu que as pessoas colaborem denunciando suspeitos. "A gente precisa que todo mundo se sinta obrigado a fazer com que esse problema diminua".

Segundo o delegado Marcelo Bórsio, dos 20 casos de prisão, de 25% a 30% das pessoas que portavam material pornográfico também praticavam os abusos contra crianças. “É triste falar isso, mas essas pessoas que compartilham fotos também promovem os abusos sexuais infantis”, afirmou.

A Operação Tapete Persa conta com 400 agentes e faz parte de uma ação de caráter internacional, feita em cooperação com a Interpol e a Polícia Criminal de Baden-Württenberg, localizada no sudoeste da Alemanha.

Investigação

Segundo a PF, durante a Operação Perserttepich & Collection, deflagrada em junho de 2009, a polícia alemã monitorou redes na internet utilizadas para o compartilhamento de arquivos de imagens e vídeos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Os fatos foram informados à representação da Interpol, no final do ano de 2008 e, a partir daí chegou ao conhecimento da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal brasileira.

A partir disso, a unidade central da PF para crimes de pedofilia iniciou investigações preliminares para identificar  os locais utilizados pelos suspeitos para cometimento dos crimes no País. Posteriormente, mediante autorização judicial e manifestação do Ministério Público Federal, a PF encaminhou para suas unidades os endereços dos suspeitos obtidos junto aos provedores de Internet, juntamente com videos e fotos que compravavam o crime.

Foram instaurados diversos inquéritos policiais, levantamentos de inteligência e solicitados mandados de busca e apreensão, visando à deflagração conjunta da Operação Tapete Persa nos Estados.

O nome da operação faz alusão a um dos vídeos compartilhados pelos pedófilos, em que se notam imagens degradantes de uma criança de aproximadamente seis anos de idade sendo abusada sexualmente, tendo como pano de fundo um tapete persa, que também é o significado do vocábulo “perserttepich”, em alemão. Os suspeitos, se condenados, podem pegar penas de até 15 anos de reclusão.

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