Polícia Federal ouvirá Dilma em inquérito sobre o dossiê

BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) prepara-se para tomar o depoimento da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, até meados de maio no inquérito que apura o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A idéia é ouvir a ministra como testemunha e não indiciada ou suspeita do vazamento de informações sigilosas referentes ao uso de cartões corporativos e contas B durante a gestão do ex-presidente.

Valor Online |

Oficialmente, a PF nega que pretenda ouvir a ministra ou que qualquer depoimento de envolvidos no caso seja cogitado pelo delegado responsável pelo inquérito, Sérgio Menezes. Por Dilma ocupar um cargo de confiança no primeiro escalão do governo, terá direito a escolher dia, horário e local que quer prestar esclarecimentos. Parlamentares afirmam que a ministra não deverá se furtar a dar o depoimento.

Em nome da credibilidade da instituição, policiais federais que acompanham as investigações sobre o dossiê não pretendem limitar as investigações. Interlocutores da PF afirmam que a idéia é apurar, além do vazamento de informações que deu origem ao dossiê, quem são os responsáveis e quais os objetivos da realização do levantamento de dados da Casa Civil com informações sobre gastos da gestão FHC.

Antes de ir à PF, a ministra prestará depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, no dia 30 de abril, quando oficialmente prestará esclarecimentos sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas a oposição pretende questioná-la sobre a montagem do dossiê. A base governista monta blindagem, para evitar o tema.

Da parte dela, não vejo óbice de falar sobre qualquer coisa, mas nós vamos levantar questão regimental para que o caso do dossiê não venha à tona , afirmou a líder do PT, Ideli Salvatti (SC). O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), criticou ontem o que considerou paternalismo e excesso de proteção do governo federal em relação à ministra, para que ela não fale sobre o dossiê. É um excesso de zelo dos líderes do governo. Mas há uma hora em que defesa como essa não faz bem à ministra nem ao país , disse Garibaldi.

A convocação de Dilma foi aprovada no início do mês, numa reunião da CI em que a oposição aproveitou a ausência de governistas. No mesmo dia, a comissão aprovou outro requerimento convocando Dilma, para falar sobre as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte. Alguns dias depois, na mesma comissão - presidida pelo tucano Marconi Perillo (GO) -, em outro cochilo da base, a oposição aprovou um terceiro requerimento, dessa vez para a ministra falar sobre o dossiê.

A rigor, seriam três depoimentos, em dias diferentes. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), articula a anulação da convocação da ministra para tratar do dossiê. A base governista - agora atenta às mobilizações da oposição - derrubou ontem um novo requerimento, do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), de convocação de Dilma, também com o objetivo de falar sobre sua suposta responsabilidade na confecção do dossiê.

(Raquel Ulhôa | Valor Econômico, com agências noticiosas)

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