A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que brasileiros estejam envolvidos no transporte ilegal de lixo encontrado nos portos de Santos, em São Paulo, e de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.


De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal, há dois inquéritos para investigar a origem do lixo e por que os contêineres com mais de 1.600 toneladas de lixo doméstico vieram do Reino Unido para o Brasil.

Na semana passada, foram encontrados mais 25 contêineres no Porto de Santos. "É o mesmo tipo de lixo encontrado nos outros carregamentos, mas com lixo tecnológico junto, como caixas de CDs e peças de computadores", disse Ingrid Oberg, chefe regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Santos.

Nos carregamentos anteriores, fiscais encontraram seringas, camisinhas, banheiros químicos, lixo hospitalar, fraldas usadas, tecidos, cartelas vazias de remédios, pilhas, entre outros produtos.

Segundo Ingrid, essa última carga chegou a Santos sob a fachada de polímero de etileno para reciclagem, a exemplo dos outros carregamentos.

Ela estava abandonada no porto desde o final do ano passado e foi descoberta após uma investigação da Receita Federal com base nos carregamentos que já haviam sido encontrados em Santos e Rio Grande.

Uma companhia inglesa chamada Worldwide Recyclables aparece como a exportadora dos carregamentos, enviados a duas diferentes empresas de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

A Polícia Federal informou também que as investigações estão adiantadas e dentro de 30 dias deverá ser divulgado um relatório com as informações apuradas.

Multa a empresas

Segundo Ingrid, a multa a ser paga pela importadora e transportadora dos 25 contêineres repletos de lixo doméstico deve ser definida nesta segunda-feira. 

"A primeira multa [da primeira leva de lixo encontrada] foi fixada em R$ 155 mil. A segunda deve ser fixada na segunda-feira", disse. Como a empresa que enviou o lixo não tem representação oficial no País, o Ibama não pode multá-la.

Lixo da Inglaterra

Segundo Ingrid, a carga de lixo doméstico que veio da Inglaterra "não tem lógica alguma". "Exportar lixo doméstico é proibido pela Convenção de Basileia", afirmou.

A Agência Ambiental da Grã-Bretanha está investigando o caso e as empresas responsáveis pela exportação de lixo para o Brasil podem ser processadas, multadas e até punidas com prisão.

Ao comentar o caso, o presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, chegou a afirmar que o Brasil não aceitará ser tratado como "lixeira do mundo".

(*com informações das agências Estado e Brasil)

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