BRASÍLIA - José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário do Controle Interno da Casa Civil, saiu indiciado por violação de sigilo funcional de seu depoimento de cerca de 2h30 à Polícia Federal na manhã desta sexta-feira. Ele é o primeiro indiciado no inquérito que investiga o vazamento de informações sigilosas dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Apenas seu advogado Luis Maximiliano Telesca se pronunciou na saída da PF dizendo que ¿foi um bom depoimento¿.

Aparecido responde pelo artigo 325, parágrafo 2º, do Código Penal, que prevê, para quem infringir o artigo, pena de reclusão de 2 a 6 anos e multa.

Agência Brasil
Segundo a PF, o ex-secretário respondeu todas as perguntas feitas, todas as informações prestadas estão sob sigilo de Justiça e a cópia do depoimento, tanto de José Aparecido quanto de André Fernandes ¿ assessor do senador Álvaro Dias, acusado de ter recebido as informações - será encaminhada ainda nesta sexta-feira à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos cartões corporativos. Segundo a assessoria da PF, José Aparecido teria respondido a todas as perguntas.

Sérgio Menezes , delegado da PF, diz já ter esclarecido o caso do vazamento das informações sigilosas quase na totalidade, tendo informações sobre o computador fonte que alimentou a planilha contendo os gastos do ex-presidente Fernando Henrique, passada por e-mail pelo ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, ao assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes. Os nomes dos envolvidos não foram revelados pelo delegado porque o inquérito corre em segredo de Justiça.

Na próxima terça-feira, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos, do Congresso Nacional, deve ouvir José Aparecido e André. Os depoimentos serão dados separadamente.

Vazamento

Os dados apurados pela PF confirmam a tese, já levantada quando da divulgação do laudo do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), que apontam Aparecido como responsável pelo vazamento. A PF comprovou a autoria do vazamento no computador pessoal de André, que foi apreendido e também submetido a perícia. O assessor de Álvaro Dias havia apagado a mensagem de Aparecido do seu computador de trabalho, no gabinete do Senado, mas antes havia feito um espelho no seu micro pessoal.

O objetivo da PF é descobrir quem mandou fazer o suposto dossiê e com que motivação, para estabelecer se houve crime. Nessa hipótese, os autores podem ser indiciados por prevaricação e violação de sigilo funcional. Mas as investigações ainda não permitiram concluir que houve crime na manipulação dos dados, função - em princípio - corriqueira em órgãos públicos como a Casa Civil.

As investigações também reforçam a tese de que a planilha recebida por André transitou pelos computadores dos dois servidores cedidos por Aparecido ao Grupo de Trabalho criado por Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço-direito da ministra Dilma Rousseff. O grupo foi reunido para levantar os gastos da Presidência no período de 1998 a 2003, o que pegou o período de governo de FHC. Indagado sobre essa hipótese, o delegado foi evasivo, alegando sigilo da investigação. "É possível".

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