BRASÍLIA - A Polícia Federal e o Ministério Público vão recorrer ao Judiciário para conseguir os documentos do Senado com as listas das milionárias e suspeitas transações de empréstimos consignados. Em menos de um mês, o delegado Gustavo Buquer fez três ofícios solicitando à presidência do Senado os documentos com os empréstimos feitos pelas instituições de crédito conveniadas com o Legislativo.

O delegado e o procurador Gustavo Pessanha, que também trabalha no inquérito, vão recorrer à Justiça para conseguir os documentos.

O inquérito foi aberto porque há indícios de participação do ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi num esquema de intermediação e cobrança de propina nas transações do crédito consignado por meio da Contact Assessoria de Crédito - a empresa tem como sócia Maria Izabel Gomes, 83 anos, ex-babá de Zoghbi que teria sido usada como laranja.

A Contact recebeu pelo menos R$ 2,3 milhões do Banco Cruzeiro do Sul, uma das instituições conveniadas. O Cruzeiro do Sul nega a influência do ex-diretor. Outros bancos também trabalhavam em parceria com a empresa ligada a Zoghbi.

O advogado-geral do Senado, Luiz Fernando Bandeira de Mello, autorizou a liberação das listas do crédito consignado e da intermediação bancária, mas a decisão final depende do comando do Senado. A relação dos bancos que concederam empréstimos a cerca de 4 mil servidores é fundamental para a polícia. O delegado precisa deles para cruzar com os papéis que mostram a ex-babá de Zoghbi como sócia da Contact.

Assim que receber os documentos, Buquer pedirá a quebra do sigilo fiscal e bancário de Zoghbi e família, incluindo a mulher, Denise. Zoghbi corre o risco de ser demitido do serviço público. Além do inquérito da Polícia Federal, o funcionário, que comandava uma folha de pagamento de R$ 2,1 bilhões anuais, sofrerá um processo administrativo por conta das denúncias de desvios de recursos ligados a empréstimos consignados. Ele deixou a diretoria de Recursos Humanos em março após a revelação de que repassou aos filhos um apartamento funcional do Senado. Pediu então a aposentadoria, benefício que pode perder em caso de demissão.

(*Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo")

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