Polícia Federal anuncia trégua para retirada de não-índios de Raposa Serra do Sol

BOA VISTA - O superintendente da Polícia Federal (PF) em Roraima, José Maria Fonseca, anunciou, nesta quarta-feira, que a operação Upatakon 3 terá uma trégua pelo menos até a próxima segunda-feira.

Redação com agências |

A operação visa retirar não-índios da terra indígena Raposa Serra do Sol. A informação foi transmitida após uma reunião entre policiais federais e nove arrozeiros que têm plantações na área.

"Eles pediram um prazo até segunda-feira, quando voltaremos a sentar para definir como será a desocupação", afirmou Fonseca, reiterando que o acordo com os arrozeiros será respeitado. "Até segunda-feira não tem surpresa e não há enganação. A Polícia Federal não age assim. Não pode haver quebra de confiança".

Na terça-feira, o coordenador-geral da Upatakon 3, delegado Fernando Segóvia, disse que a Polícia Federal estava em Roraima para cumprir a lei e usaria todos os meios necessários para desempenhar suas missão. "Se eles (não-índios) não quiserem sair, infelizmente teremos de tirá-los de lá."

Índios aliados a arrozeiros pedem respeito

O vice-presidente da Sociedade dos Índios em Defesa de Roraima (Sodiur), aliada aos arrozeiros da reserva indígena Raposa Serra do Sol, macuxi Sílvio da Silva, pediu respeito da Polícia Federal durante a Operação Upatakon 3, deflagrada para retirar os não-índios da área.

"Não é só o (presidente) Lula que é autoridade. Nós que temos nossa terra também somos autoridade. Queremos respeito", afirmou Silva. "Eles (policiais federais) chegaram e já foram entrando nas áreas indígenas sem conversar. Chegaram abusando, querendo assustar", reclamou Silva.

A Sodiur defende a permanência dos arrozeiros na área. "Somos favoráveis que os brancos que estão ali dentro permaneçam trabalhando e com amizade conosco. Eles estão plantando , produzindo e dando emprego", seguiu o macuxi.

O dirigente da Sodiur diz que os índios representados pela entidade não têm armas, apesar de parte deles ter ido reforçar a base de resistência montada pelos moradores e arrozeiros na Vila Surumu.

Silva também reclamou de abandono por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai). "Veja se a Funai tem lavoura, escola ou posto médico lá dentro. O governo federal não vem olhar nossa área indígena e nem sabe o que um índio sente ali dentro", afirmou.

(*com informações da Agência Brasil e Estado)

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