RIO DE JANEIRO - A polícia do Rio de Janeiro iniciou nesta terça-feira a segunda fase da Operação Têmis para acabar com fontes ilícitas de financiamento da milícia Liga da Justiça, que atua na zona oeste da capital fluminense.

De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança, cerca de 340 policiais civis e militares participam da ação, que ocorre nos bairros de Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba.

Conforme a secretaria, "atacando fontes ilícitas de financiamento, toda a quadrilha fica enfraquecida. Assim, o risco de outras pessoas assumirem a liderança do grupo é menor". Nesta manhã, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, sobrevoou as áreas de fiscalização.

A operação também tem como objetivo cumprir 19 mandados de prisão contra milicianos. Eles estão foragidos desde a primeira fase da operação, que teve início no último dia 28 de maio.

A polícia informa que a operação Têmis deve durar no mínimo 30 dias ininterruptos. Depois deste período, será realizado um balanço e a fiscalização poderá ser prorrogada por mais 60 dias.

Além das polícias estaduais, colaboram com a ação o Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Secretaria Municipal de Ordem Pública, Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado do Rio de Janeiro (Sirgaserj), Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro e Net Rio S/A.

Segundo a secretaria de Segurança, a estimativa é que mais de 50 mil botijões de gás são comercializados de forma ilegal todo mês. Além disso, as ligações clandestinas de TV a cabo chegam a 100 mil.

1ª fase da Operação

A operação Têmis teve início na terça-feira, dia 9 de junho, a partir de um inquérito instaurado na 35ª DP (Campo Grande). A primeria fase ficou concentrada principalmente na prisão do grupo conhecido como "Liga da Justiça", que atua nas favelas da Carobinha e do Barbante, em Campo Grande, e nos bairros de Cosmos, Inhoaíba e Paciência, na zona oeste do Rio. 

A secretaria de Segurança afirma que o grupo, liderado pelo ex-policial militar Ricardo Teixeira da Cruz, conhecido como Batman, é um dos mais violentos do Estado e está ligado a pelo menos 30 homicídios. Quarenta e oito pessoas foram presas.

Beltrame afirmou que combater mílicias "é uma das ações prioritárias da secretaria de Segurança". "Neste ano, nós já superamos o total de presos em todo o ano passado", disse ele, acrescentando que desde janeiro 114 foram presas ligadas à milícias contra 78 do ano passado.

Segundo o secretário, a "Liga da Justiça" corresponde a cerca de 70% do total de milícias do Estado.

Leia mais sobre: milícias

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.