Polícia encontra cativeiro onde chineses seqüestrados foram mantidos

RIO DE JANEIRO ¿ A polícia encontrou na tarde desta terça-feira o cativeiro onde ficaram presos os três chineses e um conselheiro da embaixada do Vietnã seqüestrados no sábado, na Estrada das Paineiras, no Parque Nacional da Tijuca. A casa que foi usada para manter as vítimas foi localizada com a ajuda de um dos seqüestrados, o chinês Liu Chang Hong. Uma equipe de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli está no local.

Redação |

AE
Chineses chegam à Delegacia do Turista, no Leblon
Segundo as primeiras informações, o imóvel usado como cativeiro fica no alto da favela da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha, zona Norte do Rio. O chinês que ajudou na procura contou com o auxílio de um intérprete e circulou pela comunidade a bordo de um caveirão.

Desde cedo, cerca de 400 policiais civis de diversas delegacias especializadas fazem uma grande operação na favela Vila Cruzeiro. Além de encontrar o cativeiro onde os seqüestrados foram mantidos, a ação tem como objetivo encontrar os criminosos responsáveis pelo crime. A operação conta com o apoio de um helicóptero e de carros blindados da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais). Até o momento, uma grande quantidade de entorpecentes foi apreendida, entre ela maconha e loló.

Nesta segunda-feira, agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) também fizeram uma incursão na comunidade. A ação contou com veículos blindados, um posto móvel avançado, soldados do Batalhão de Choque e do 16º BPM (Olaria). Na operação, um suposto criminoso morreu e dois moradores foram baleados.

Hipóteses

O titular da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), Fernando Veloso, descartou nesta segunda-feira a hipótese de assalto no seqüestro envolvendo três chineses e um conselheiro da embaixada do Vietnã, no sábado, na Estrada das Paineiras. Veloso acredita que o crime tenha sido premeditado e que os alvos dos criminosos eram os chineses e não o diplomata.

Segundo o delegado, os seqüestrados não sofreram nenhum tipo de agressão, não houve exigência de dinheiro e a forma como eles foram abordados não condiz como um roubo comum. Ele pretende agora ouvir os depoimentos das vítimas, confrontar as versões e investigar o motivo pelo qual os bandidos agiram.

Uma das linhas de investigação liga o crime à disputa por postos de trabalho na construção do complexo da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Itaguaí, na Baixada Fluminense. A contratação de 120 chineses para a obra virou uma batalha judicial entre a empresa e o Ministério Público do Trabalho, que acusa a CSA de contratar chineses em situação ilegal. A empresa informou que os estrangeiros contam com vistos de trabalho temporário.

Fernando Veloso não descarta a tese de traficantes terem sido contratados pela máfia chinesa para retaliar trabalhadores. "As hipóteses de roubo contra turista e seqüestro estão descartadas", disse. De acordo com o delegado, alguns criminosos já foram identificados.

Seqüestro

O grupo foi seqüestrado no sábado enquanto passeava pela Estrada das Paineiras. O diplomata estava com o pai e o irmão em um táxi, enquanto os chineses estavam em uma van.

Ao pararem próximo ao mirante Dona Marta, eles foram abordados por criminosos que usavam roupas pretas e toucas ninja. Os bandidos recolheram objetos dos estrangeiros e depois levaram o diplomata e três chineses em três carros.

Eles foram levados para um cativeiro na favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão. Segundo as vítimas, o local era parecido com uma cisterna e havia uma passagem superior. No domingo, eles decidiram fugir quando perceberam que a vigilância no cativeiro tinha diminuído. Depois da fuga eles se desencontraram e cada um seguiu um caminho.

O diplomata vietnamita conseguiu pegar um táxi e chegou ao hotel onde estava hospedado. Um dos chineses, Liu Chang Hong, foi encontrado no final da noite de domingo na Avenida Dom Hélder Câmara, em Del Castilho, zona Norte do Rio. O dois outros seqüestrados foram encontrados na manhã desta segunda-feira nas proximidades da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Itaguaí, na Baixada Fluminense.

*com informações da Agência Estado

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