A Polícia Militar do Rio de Janeiro (RJ) anunciou nesta quarta-feira à noite que pretende reforçar o efetivo nas estações da cidade para evitar novos tumultos e cenas de agressão como as acontecidas na última manhã. Segundo nota divulgada, a intenção é preservar o patrimônio e a integridade física dos usuários.

Cenas de agressão

A Supervia -concessionária que administra o transporte ferroviário no Rio ¿ comunica que os quatro agentes de segurança envolvidos na agressão aos usuários na estação de trem de Madureira foram demitidos.

Segundo nota da Supervia, a demissão ocorreu após o processo administrativo de investigação. Ainda de acordo com a nota, a empresa "ressalta que essa atitude não está de acordo com o Código de Ética e Conduta da Supervia e todos os agentes de controle são treinados para tratar com respeito e dignidade os passageiros".

Por volta das 8h, alguns passageiros que estavam na estação de trens de Madureira, no subúrbio do Rio, e impediam que as portas da composição fossem fechadas foram agredidos por socos e chicotadas por agentes.

A empresa informou que, neste ano, 200 pessoas foram encaminhadas às autoridades por envolvimento com vandalismo nas estações e por impedirem o fechamento adequado dos trens.

A assessoria da Supervia disse ainda que, por causa da greve, "não há operações específicas" para deter pessoas envolvidas com vandalismo nas estações, mas a "prática de coibir" tais atos continua.

Terceiro dia de greve

A SuperVia informou, nesta quarta-feira, que os ferroviários do Rio de Janeiro mantiveram a greve, mesmo após uma reunião de tentativa de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho. Assim, a paralisação entra em seu terceiro dia.

A concessionária alega que cumpriu todas as demandas referentes a segurança apontadas pelo sindicato e diz ter cumprido todas as determinações legais. Apesar disto, a empresa afirma que os ferroviários seguem com paralisação parcial e inferior ao mínimo estipulado pelo tribunal, que é de 60% do efetivo trabalhando em horários de pico e 40% em horários normais.

Com isto, os trens da região metropolitana do Rio de Janeiro operam em esquema de emergência por mais um dia. Os intervalos entre as composições foram mudados para:

Ramal Japeri: intervalos de 40 minutos
Ramal Santa Cruz: intervalos de 40 minutos
Ramal Deodoro: intervalos de 20 minutos
Ramal Belford Roxo: intervalos de 30 minutos
Ramal Saracuruna: intervalos de 30 minutos

Investigação do Ministério Público

Em nota, o Ministério Público (MP) afirmou que vai investigar as agressões cometidas por agentes da Supervia contra passageiros de trem no Rio de Janeiro. O promotor Julio Machado Teixeira da Costa, da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, disse que há um procedimento para apurar o mau funcionamento das portas dos trens e que as imagens de hoje vão ser anexadas ao processo.

O MP também apura se a instalação de um mecanismo capaz de impedir a movimentação dos trens com as portas abertas traria um encarecimento da passagem.

De acordo com o MP, dois passageiros registraram queixa no 29º Distrito Policial, em Madureira, onde foi aberta a investigação sobre o caso.

A promotora Angélica Gaiotte diz que esta não foi a primeira vez que funcionários da SuperVia agrediram passageiros e, no caso desta quarta-feira, os agressores podem pegar uma pena de três meses a um ano de prisão.

Ainda segundo a nota do MP, a ouvidoria do órgão recebeu, pela internet, uma reclamação sobre a agressão desta manhã, e a queixa foi encaminhada para as instituições responsáveis, como a Subprocuradoria de Direitos Humanos e o 7º Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Investigação Penal.

Veja o vídeo:

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