Polícia diz que assassinato de ex-diretor de Bangu 3 está esclarecido

RIO DE JANEIRO ¿ O chefe da Polícia Civil do Rio, Gilberto Ribeiro, disse nesta quinta-feira que assassinato do ex-diretor do presídio Bangu 3, tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, está esclarecido. Na noite desta quarta-feira, policiais civis da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) prenderam Esteves Gouveia Barreto, de 27 anos, conhecido como Rosinha, no bairro da Penha, zona norte do Rio. Ele é tido como um dos suspeitos pelo crime acontecido no mês passado.

Redação |

Acordo Ortográfico Essa prisão confirmou nossa linha de investigação, que apontava para traficantes da Favela do Cruzeiro, na Penha, como autores dessa execução. Podemos dizer que o caso está esclarecido, faltando apenas o cumprimento da prisão dos demais executores, comentou Gilberto Ribeiro.

Em depoimento, Esteves admitiu sua participação no assassinato. De acordo com a polícia, o suspeito foi o responsável por seguir, durante vários dias, os passos do tenente-coronel, ao longo do seu trajeto de casa para o trabalho, e passar essas informações para os assassinos do bando, que interceptaram a vítima e a executaram. Aos agentes, Esteves contou ter recebido R$150 por cada dia de monitoramento.

Segundo Gilberto Ribeiro, os outros quatro suspeitos pelo crime também já foram identificados. Eles também são ligados ao tráfico de drogas na Vila Cruzeiro, na Penha. São eles: Luís Cláudio Serrate, o Claudinho da Mineira, Fabiano Eutanásio da Silva, o Fabinho ou FB, Ricardo Severo, o Faustão, e Lúcio Mauro Carneiro dos Passos, o Biscoito.

O titular da Drae, delegado Carlos Oliveira, disse que a polícia trabalha em várias linhas de investigação em relação à motivação e aos mandantes do crime. A prisão de Esteves nos deu toda a mecânica da morte do coronel e a identificação dos assassinos. Agora é uma questão de tempo para prender o resto da quadrilha, frisou.

Assassinato

O diretor do presídio Bangu 3 foi assassinado no mês passado quando trafegava pela Avenida Brasil, no trecho próximo a Deodoro. Na hora do crime, o tenente-coronel seguia para o trabalho. Após ser abordado por bandidos que estavam em dois carros, o veículo de Lourenço foi atingido por mais de 60 disparos de fuzil. Nada foi roubado.

AE

Carro do tenente-coronel foi alvejado com cerca de 60 tiros, segundo a perícia

Na época, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o diretor do presídio dispensou escolta policial por opção pessoal. Segundo Beltrame, havia veículos blindados à disposição do tenente-coronel, mas ele "não fez questão" de usá-los.

Na última sexta-feira, durante uma audiência na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), o secretário estadual de Administração Penitenciária, César Rubens Monteiro de Carvalho, culpou o diretor de Bangu 3 pela sua própria morte. Para ele, o tenente-coronel errou ao abrir mão de dois policiais que faziam a sua escolta. Segundo Carvalho, há pelo menos um ano e meio o Disque-Denúncia vinha recebendo ligações falando em atentados contra o diretor do presídio.

De acordo com o delegado da divisão de homicídios da Polícia Civil, Roberto de Souza Cardoso, a morte do tenente-coronel era um "recado" por se tratar de uma referência.

"Lourenço era conhecido como um diretor rigoroso que atuava na função com ética. Ele era emblemático e esta seria uma forma de "dar um recado" às autoridades. A morte de alguém como ele causaria muito mais impacto do que se matassem outro diretor", afirmou

José Roberto do Amaral Lourenço foi o sétimo membro da direção de presídios fluminenses a ser assassinado, desde setembro de 2000, quando a diretora de Bangu 1, Sidneyas dos Santos Jesus, foi morta a tiros na porta do prédio onde morava.

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