Polícia divulga carta encontrada com pai e filho mortos em São Paulo

SÃO PAULO - A carta que a polícia acredita ter sido escrita pelo advogado e professor-doutor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Renato Ventura Ribeiro, cujo corpo foi encontrado junto ao do filho, de 5 anos, relata problemas de convivência da criança com a família da mãe e sustenta que no futuro as datas comemorativas seriam de tristeza para o menino, daí a necessidade de abreviar-lhe o sofrimento.

Agência Estado |

O autor diz ainda: "Infelizmente, de todas as alternativas, foi a que me restou. É a menos pior. E pode ser resumida na maior demonstração de amor de um pai pelo filho."

A carta não está assinada, mas a polícia está quase certa de que o autor é o professor. O computador dele foi apreendido para verificar se o texto foi digitado na máquina. A seguir, a íntegra da carta:

"Aos meus amigos,

Em primeiro lugar, saibam que estou muito bem e que a decisão foi fruto de cuidadosa reflexão e poderação (sic). Na vida, temos prioridades. E a minha sempre foi meu filho, acima de qualquer outra coisa, título ou cargo.

Diante das condições postas pela mãe e pela família dela e de todo o ocorrido, ele não era e nem seria feliz. Dividido, longe do pai "por vontade da mãe", não se sentida bem na casa da mãe, onde era reprimido inclusive pelo irmão da mãe bêbado agressivo, fica constangido (sic) toda vez que falavam mal do pai, a mãe tentando afastar o filho do pai, etc, etc. A mãe teve coragem até de não autorizar a viagem do filho para a Disney com o pai, privando o filho do presente de aniversário com o qual ele já sonhava, para conhecer de perto o fantástico lugar sobre o qual os colegas da escola falavam.

No futuro, todas as datas comemorativas seriam de tristeza para ele, por não poder comemorar junto com o pai e a mãe, em razão da intransigência materna. Não coloquei meu filho no mundo para ficar longe dele e para que ele sofresse. Se essa é a hora de corrigir o erro, abreviando-lhe o sofrimento.

Infelizmente, de todas as alternativas, foi a que me restou. É a menos pior. E pode ser resumida na maior demonstração de amor de um pai pelo filho.

Agora teremos liberdade, paz e poderei cuidar bem do meu filho.

Fique com Deus."

O caso

A tragédia aconteceu no feriado prolongado de Tiradentes, no apartamento 126 da Avenida Senador Casemiro da Rocha, 1.257, na Vila Clementino. Os corpos só foram encontrados na quarta-feira.

A Polícia Civil não sabe definir exatamente quando ocorreu o crime, mas apurou que a mãe da criança, Fabiane Hungaro Menina, de 37 anos, entregou o filho ao pai na sexta-feira à tarde.

Ele deveria ficar com a criança só até domingo. Como não apareceu, Fabiane prestou queixa no 16º DP (Vila Clementino) no domingo e na segunda-feira. Foi registrado um boletim de ocorrência por "subtração de incapaz", segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Como a criança não apareceu até a quarta-feira, a advogada recorreu à Delegacia de Defesa da Mulher, onde foi instaurado um inquérito sobre o caso e solicitadas fotos do pai e da criança.

Luís Renato foi fruto de um relacionamento de seis meses do casal. O pai sempre quis a guarda do filho e, por isso, entrou com ação na Justiça.

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