Dezenas de milhares de manifestantes marcharam pelas frias ruas da capital dinamarquesa hoje e 600 pessoas foram detidas, durante uma passeata que exigia a assinatura de um acordo climático global ambicioso. Na conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, as conversações chegaram a um impasse, por conta das exigências dos países ricos em relação às medidas a serem tomadas pela China e pelas economias emergentes.

A reação inicial ao texto da negociação revelou a divisão entre os países ricos, liderados pelos Estados Unidos, e os países que continuam lutando para superar a pobreza. O objetivo do documento era preparar os temas difíceis para os ministros de Meio Ambiente, enquanto eles se preparam para a reunião de cúpula com cerca de 110 chefes de Estado e governo no fim da próxima semana.

O delegado norte-americano Jonathan Pershing disse que o esboço não conseguiu abranger as questões contenciosas de emissões de carbono de economias emergentes. "O atual esboço não funcionou nos termos que é conduzido", disse Pershing em plenário, com o apoio da União Europeia, do Japão e da Noruega.

No entanto, a União Europeia criticou os Estados Unidos, afirmando que o país poderia assumir compromissos maiores para avançar nas conversações. Para o ministro do Meio Ambiente da Suécia, Anders Carlgren, Estados Unidos e China deveriam ser legalmente obrigados a manter quaisquer promessas que façam.

A China assumiu compromissos voluntários de regulamentar suas emissões de carbono, mas não quer se comprometer com uma legislação internacional. Na visão da China, Estados Unidos e outros países ricos têm forte responsabilidade histórica em relação ao corte de emissões. Por isso, qualquer acordo climático em Copenhague deve levar em conta o nível de desenvolvimento de cada país.

Hoje, ministros de Meio Ambiente de vários países começaram a chegar à capital dinamarquesa, para as conversações formais anteriores à reunião de cúpula dos líderes mundiais, na próxima semana.

Manifestações

Nas ruas frias da cidade, a polícia destacou esquadrões adicionais para observar os manifestantes que marchavam na direção do local da conferência, exigindo que os líderes tomem atitudes para lutar contra a mudança climática. Segundo a polícia, os manifestantes chegaram a 25 mil pessoas, enquanto os organizadores do ato disseram que 100 mil pessoas participaram do protesto, que saiu do centro de Copenhague.

A maioria dos manifestantes agiu pacificamente, mas a polícia deteve 660 pessoas, em uma ação preventiva contra jovens ativistas que estavam no final da manifestação. "Houve lançamento de pedras e, ao mesmo tempo, as pessoas estavam colocando máscaras", justificou o porta-voz da polícia, Rasmus Bernt Skovsgaard. "Decidimos realizar prisões preventivas para dar aos manifestantes pacíficos a possibilidade de continuar".

No centro de conferências, delegados reuniram-se ao redor das TVs para ver imagens ao vivo da polícia prendendo, com hastes plásticas, as mãos de jovens vestidos de preto. Não há informações sofre feridos. Mais cedo, a polícia havia detido 19 pessoas, principalmente por não obedecerem as rígidas leis dinamarquesas contra a posse de canivetes e o uso de máscaras durante protestos.

Europa e Ásia

Ativistas do meio ambiente fizeram outras manifestações na Europa e na Ásia, para aumentar a pressão sobre as negociações em Copenhague. Milhares pessoas participaram da "Caminhada contra o Aquecimento" em importantes cidades da Austrália e cerca de 200 filipinos realizaram uma manifestação festiva em Manila, para lembrar o Dia Global de Ação contra Mudanças Climáticas. Em Jacarta, dezenas de ativistas indonésios do meio ambiente se reuniram em frente da embaixada dos Estados Unidos.

Milhares de ambientalistas também protestaram em 100 praças de toda a Itália. Eles levavam faixas com a frase "parem com a febre do planeta" e pediam assinaturas para uma petição para que os líderes mundiais cheguem a um acordo sobre a redução de emissões.

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