Polícia Civil entra no segundo dia de greve e delegacias atendem apenas a emergências

SÃO PAULO - Policias civis do Estado de São Paulo entraram, na manhã desta quarta-feira, no segundo dia de greve para reivindicar melhores condições de trabalho, aumento salarial e incorporação dos benefícios à folha de pagamento. De acordo com João Rebouças, o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), 90% das delegacias do interior e 60% da capital já aderiram à paralisação.

Redação |

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Durante a greve, de acordo com Rebouças, as delegacias devem trabalhar com o efetivo de 80%, porém, só atenderão a casos de urgência, como sequestros, assaltos, assassinatos e flagrantes.

Serviços menos urgentes, como roubo e perdas de documentos, acidentes de trânsito sem vítimas e lesão corporal leve não serão registrados. Nossa intenção não é prejudicar a população, estamos lutando pelo que é nosso de direito, disse.

O sindicato reivindica um aumento salarial de 60%, melhores condições de trabalho e que as gratificações que recebem sejam incorporadas ao salário. Hoje nós temos gratificações, quando ficamos doentes ou nos aposentamos elas são cortadas. Em alguns casos perdemos até 45% do salário, reclama.

Rebouças reclama ainda da intransigência do governo. Aceitamos negociar. Até propusemos que os aumentos fossem dados anualmente 15% neste ano, 12% em 2009 e 12% em 2010, mas nem isso quiseram aceitar, completa.

Além disso, eles querem em uma segunda etapa a reestruturação da categoria. O governo oferece o investimento de R$ 500 milhões em reestruturação para as três polícias (Civil, Militar e Científica). Não houve acordo nas reuniões.

O presidente do sindicato disse ainda que a greve não tem data para acabar. "Esperamos que até o dia 25 o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) nos chame para uma nova rodada de negociações mas ainda não temos nada certo", comentou.

O outro lado

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP), informou que os sindicatos escondem dos policiais os benefícios da proposta apresentada pelo governo e decretaram uma greve despropositada. Eles [os sindicatos] não querem dialogar. Optaram pela intransigência e pelo risco, informa o comunicado.

A SSP diz ainda que as reivindicações dos sindicatos representariam um acréscimo de R$ 3 bilhões à folha de pagamentos da Polícia Civil, hoje de R$ 7 bilhões anuais. Portanto, um aumento inteiramente fora da realidade orçamentária do Estado.

Esta é a segunda paralisação da polícia civil neste ano. No dia 13 de agosto, os policiais civis também pararam e o movimento durou apenas 7 horas. Na ocasião, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a suspensão da greve e marcou as primeiras reuniões de conciliação.

Mobilização

Na tarde desta terça-feira, 30 representantes do sindicato fizeram uma mobilização em frente ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) para mobilizarem mais policiais e fazê-los entender a importância da greve.

Outra mobilização foi feita nesta tarde em Diadema, na Grande São Paulo. Segundo Rebouças, todos os distritos da cidade estão parados e os policiais participaram da manifestação.

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