Polícia Civil entra em greve e só atende serviços emergenciais em São Paulo

SÃO PAULO - Policiais civis do Estado de São Paulo entraram em greve por tempo indeterminado na manhã desta quarta-feira. De acordo com o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia João Rebouças, cerca de 80% da categoria aderiu à paralisação no interior. Na Capital, ainda de acordo com Rebouças, a adesão chega a 30% mas espera-se que chegue a 70%. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), através de sua assessoria, afirma que não há greve, e todos os serviços estão sendo realizados.

Redação com Agência Estado |

Segundo o sindicato, somente serviços essenciais como homicídios, seqüestros e assaltos vão ser atendidos pelos policiais. Serviços "menos importantes", de acordo com Rebouças, como boletim de ocorrência por perda de documentos ou emissão de ordem de serviço estão paralisados.

A reportagem do Último Segundo entrou em contato com delegacias da capital e alguns delegados confirmaram que seus distritos estavam atendendo apenas a emergências.

O presidente não se diz preocupado com a decisão judicial de que ao menos 80% do efetivo trabalhasse durante a greve. "Estamos com 100% do pessoal nas delegacias, todos estão presentes, não estamos descumprindo a lei", disse. "Além disso, a lei de greve fala claramente que a cota mínima de trabalho é de 30%", complementou.

Reivindicações

Os policiais exigem participação nos estudos do projeto de reestruturação da Polícia Civil, cumprimento da data-base, transformação de vencimentos em subsídios, valorização das carreiras policiais civis, com aumentos salariais que variam 58% a 200%, aposentadoria especial, plano de carreira viável, fixação de carga horária semanal, entre outros pontos.

Segundo a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), um delegado em início de carreira recebe hoje R$ 3.708, incluindo gratificações, enquanto que o mesmo cargo em Brasília chegaria a R$ 10.000 e, no Mato Grosso, a R$ 8.000. Um investigador em início de carreira tem salário de R$ 1.757. Os policiais afirmam que não têm reajustes significativos nos salários há 13 anos e que a defasagem chega a 200%.

O governo do Estado diz concordar em discutir uma reestruturação das carreiras, o que provocaria um aumento imediato para os policiais, mas com índices bem menores. Na tarde desta quarta-feira, sindicato e governo vão se reunir para decidir os rumos da paralisação.  

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