Polícia apura violação de e-mail de Katia Abreu

Peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal começaram ontem a auditar os computadores da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida é a primeira ação policial depois que a senadora Katia Abreu (DEM-TO) protocolou uma representação em uma delegacia de Brasília argumentando que seu correio eletrônico privativo havia sido violado.

Agência Estado |

Katia é vice-presidente licenciada e candidata a presidente da entidade. Em conversas informais, ela acusa o atual presidente da entidade, Fábio Meirelles, candidato a reeleição, de ser o mandante da violação. Por outro lado, há suspeitas, noticiadas pela revista Veja desta semana, que a campanha eleitoral da senadora em 2006 tenha sido bancada ilegalmente pela CNA.

Segundo Cícero Monteiro, diretor da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado, da Polícia Civil de Brasília, os peritos têm até 30 dias para apresentar o laudo. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, mas, se houver um pedido da Procuradoria Geral da República ou do Supremo Tribunal Federal, ele irá para a Polícia Federal.

Além da investigação policial, a própria CNA decidiu ontem contratar uma auditoria privada para analisar os computadores. A briga entre Katia e Meirelles trouxe ontem a Brasília 22 dos 27 representantes estaduais da entidade para uma reunião extraordinária do Conselho.

Nela, a contratação de uma auditoria - a PriceWaterhouseCoopers, segundo informação não oficial - foi aprovada por unanimidade. A medida contou inclusive com o voto de Meirelles, que era contrário à iniciativa, até a semana passada.

Determinada a enterrar o escândalo, a entidade divulgou nota em que nega que tenha financiado qualquer campanha eleitoral. O documento lembra que as contas da entidade de 2006 foram aprovadas sem ressalvas.

"Atestamos a probidade e a lisura com que foram administrados os recursos da entidade", diz a nota. No final, a nota diz que a atuação de Katia Abreu no Senado e na CNA "honra todo o setor agropecuário brasileiro." A senadora, porém, não foi poupada de dar explicações.

Segundo participantes da reunião, ela teria dito, na reunião, que não tem "nada a ver" com a liberação de R$ 650 mil desembolsados pela CNA para uma campanha para alertar o produtor sobre a necessidade do voto consciente. Grupos adversários à senadora acusam que esse dinheiro teria sido usado irregularmente em sua campanha ao Senado em 2006.

Ela teria lembrado, durante a reunião, que a sua campanha eleitoral veiculada na televisão foi paga pelo PMDB, partido que fazia parte da coligação que a elegeu. Ainda sobre as peças publicitárias que motivaram a liberação dos R$ 650 mil, a senadora teria dito que quem é responsável por ela é a própria CNA.

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