RIO DE JANEIRO - No oitavo dia de operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio na Favela da Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte), homens do 16º Batalhão de Polícia Militar (BPM) apreenderam nesta terça-feira uma arma de fabricação caseira adaptada de uma escopeta para receber munição ponto 50, que tem capacidade de penetrar blindagens de carros e aviões de combate.

"Recebemos uma denúncia sobre um paiol e fui com a minha guarnição de dez homens verificar o local. Encontramos três homens na laje da casa, que resistiram, mas acabaram fugindo, deixando o armamento para trás", afirmou o tenente do 16º BPM, Fábio Lecim. Desde o início da operação, 15 pessoas morreram e 14 suspeitos foram presos.

Apesar de o Bope ter hasteado a bandeira (preta com o símbolo da caveira) no ponto mais alto da favela, Lecim reconheceu que o Complexo da Penha, vizinho ao do Alemão, ainda não está dominado pela polícia. "A situação está mais fácil porque era impossível chegarmos antes onde a arma foi apreendida. No entanto, encontramos marginais na contenção e resistência. Nosso objetivo e orientação é o domínio total da área", afirmou.

Com o apoio de PMs do BPM, cerca de cem homens do Bope ocupam pontos da favela - 20 ficam concentrados no posto avançado montado na sede do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE) e 80 patrulham a favela. Apesar de quase todas as barricadas dos traficantes terem sido removidas, o entulho ainda não foi retirado das estreitas ruas da comunidade. A luz ainda não foi restabelecida em todo o local, segundo os moradores.

O poderio bélico dos traficantes da Vila Cruzeiro e do Alemão provocou dois incidentes no tráfego aéreo. Em julho, um aparelho da Força Aérea Brasileira (FAB) foi atingido com um tiro de fuzil e forçou a Aeronáutica a recomendar aos pilotos a altura de 1.500 pés (457,2 metros) ao sobrevoar a região. Em outubro, um helicóptero da FAB também foi alvejado. O tiro atingiu o lado direito do aparelho, danificou o painel de controle e forçou o pouso imediato. Ninguém ficou ferido.

Escutas

Escutas da polícia mostraram que os traficantes comemoraram o feito. Organizações não-governamentais (ONGs) devem divulgar nos próximos dias um documento com críticas à operação na Vila Cruzeiro e condenando as declarações do coronel da PM Marcus Jardim, do 1º Comando de Área da Capital, que disse após as mortes e prisões na favela que a "PM é o melhor inseticida social".

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