CIDADE DO MÉXICO - Um poeta mexicano foi multado em US$ 5 por desonrar a bandeira nacional ao escrever um poema sobre seu uso para limpar urina e excrementos.

O poeta Sérgio Witz Rodriguez publicou o poema em uma revista no Estado de Campeche em 2000 e poderia ter sido condenado a passar quatro anos na prisão, de acordo com a lei que protege os símbolos nacionais.

O juiz José de Jesus Banales disse na decisão que a multa é pequena, mas simbólica: "Irá dar exemplo às outras pessoas para que não abusem do direito de expressão e desencorajará o comportamento anti-social".

O poeta descreveu a decisão desta quinta-feira como um ataque à liberdade de expressão e afirmou que não irá pagar a multa.

"Seria como admitir que sou um criminoso", disse Witz Rodriguez.

Subjugado por séculos de colonialismo e a derrota para os Estados Unidos na guerra de 1848, que custou metade de seu território, o México mantém um fervoroso culto à bandeira. Na maioria das escolas, as crianças participam de honrarias ao símbolo nacional semanalmente.

Em 2005, A Suprema Corte mexicana manteve a lei que protege os símbolos nacionais, mas Witz Rodriguez ainda pode apelar da multa.

Seu poema rejeita os valores nacionalistas, dizendo: "Eu / limpo minha urina / na bandeira / do meu país / Aquele trapo / no qual cachorros se deitam / e que não representa nada".

"Desde o início do julgamento, eles estavam determinados a me ensinar uma lição e me usar como exemplo para dizer que no México há limites, mesmo sobre os pensamentos", disse Witz Rodriguez.

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