Pode parecer brincadeira, mas campeonatos inusitados chegam a render até US$ 20 mil

SÃO PAULO - Em outubro, o estudante de ciências da computação da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Henrique Baliani, de 21 anos, irá a Las Vegas em busca do prêmio de US$ 20.580 oferecido pelo Campeonato Mundial de Monopoly. Talvez você nunca tenha ouvido falar neste nome, mas trata-se de uma versão do Banco Imobiliário, o tradicional jogo de compra e venda de propriedades.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

Divulgação

Baliani com "cheque" que lhe deu direito a ir a Las Vegas

Campeonatos inusitados como este têm ganhado cada vez mais espaço entre os brasileiros. Realizado pela primeira vez em 1973, o Campeonato Mundial de Monopoly já está em sua 13º edição, mas essa é a primeira que o Brasil participará.

Baliani desbancou cerca de mil competidores e considera que a familiaridade adquirida desde criança com o Banco Imobiliário o ajudou a se dar bem com o Monopoly. As regras são bem parecidas, só a maquinação que é um pouco mais rápida. As partidas não passam de 1h20, explica. Distribuído pela Hasbro, o Monopoly só chegou ao País em outubro de 2008.

Para a final mundial, o estudante tem brincado, ou melhor, treinado, cerca de três vezes por semana entre partidas com os amigos e análises estratégicas. Tenho bastante esperança que vou ganhar, afirma.

Campeonato de avião de papel

Marcelo Maragni/Red Bull Photofiles
Leornado fez o melhor arremesso
O estudante de engenharia da USP Leonard Ang, de 28 anos, já ganhou. Foi campeão mundial do Campeonato de Avião de Papel, o Red Bull Paper Wings. Entre as regras da disputa, estavam que os competidores tinham que criar suas aeronaves na hora, diante de toda a comissão organizadora e dos demais participantes.

Realizado nos dias 1 e 2 de maio, na Áustria, o campeonato foi dividido em três categorias: tempo de voo, distância e voo acrobático. Ang foi campeão mundial na primeira: seu avião planou por 11,66 segundos. Além da viagem com tudo pago, o estudante ganhou como prêmio um passeio de helicóptero militar pela Áustria.

Ang garante, porém, que durante as seletivas sua marca foi ainda melhor que a alcançada na final. Consegui 17,7 segundos na qualificação, mas lá (na Áustria) o teto era um pouco baixo, não deu pra ele voar tão alto, afirma.

"Fazer o avião subir bastante  envolve física e energia"

A primeira competição que participou foi em 2006. Por pura curiosidade, ele diz. Em 2009, a brincadeira ficou mais séria. Treinei bastante. Acho que o sucesso do voo é 70% da dobradura e 30% do lançamento, explica ele, que diz utilizar vários conceitos aprendidos nas aulas de engenharia para fazer o seu avião de papel planar por mais tempo. Fazer o avião subir bastante envolve física, energia, faz questão de dizer.

Arquivo pessoal
Carlos e seus diversos cubos

Campeonato Mundial de Cubo Mágico

Outro que viajou para o exterior para participar de campeonatos foi o estudante mineiro Pedro Santos Guimarães, de 20 anos. Em 2007, foi para a Hungria participar do Campeonato Mundial de Cubo Mágico, espécie de quebra-cabeça tridimensional. Mas, no seu caso, sem patrocínio. Para pagar a viagem contou com o apoio de amigos e parentes. Vendemos picolé, minha avó fez tapetes de crochê e alguns amigos lojistas deram um pouco de dinheiro também, diz.

Na Hungria, Guimarães resolveu o cubo 3x3, o mais tradicional, em 16.67 segundos ( veja Guimarães em competição ).O tempo, excepcional para qualquer pessoa, foi considerado alto para um cubista profissional e lhe rendeu apenas a 33ª posição. O vencedor embolsou 5 mil euros.

É como um esporte. Treino todos os dias pelo menos uma hora e meia

Depois, Guimarães ajudou na organização do primeiro campeonato nacional, que aconteceu em Sumaré, no interior do Estado de São Paulo. Atualmente, é o primeiro do ranking e se considera viciado no passatempo. É como um esporte. Treino todos os dias pelo menos uma hora e meia, afirma ele, que é detentor também dos melhores tempos nas categorias 3x3 com uma mão e 3x3 vendado. Nesta última, conseguiu o recorde sul americano com 123 minuto ( assista ao vídeo ). Para fazer vendado usamos um método diferente que só mexe algumas peças de cada vez. No início é um pouco difícil aprender, mas ajuda muito na concentração e no raciocínio lógico, diz.

O País já teve três campeonatos de Cubo Mágico e o quarto será realizado nos dias 18 e 19 de julho na Universidade Católica de Brasília. À frente da organização está o cientista da computação Carlos de Alcântara, de 22 anos, cuja média de resolução do cubo é de cerca de 15 segundos ( assista ao vídeo ). Estou focado para chegar à marca do Pedro, ri.

"Achei que aquilo nunca ia entrar na minha cabeça, virou um desafio aprender"

A expectativa de Alcântara é que cerca de 50 pessoas participem da competição em julho. Um número modesto, mas, segundo ele, porque o jogo ainda é pouco divulgado no País.  Não é como futebol que todo mundo sabe, justifica.

Porém, na sua casa, de tanto o verem treinar, a mãe e os irmãos já aprenderam. Só meu pai que ainda não se animou porque fala que tem ter alguém normal na família, brinca. Suzana Mara Lafetá, de 43 anos, sua mãe, está entusiasmada por ser a única mãe competidora. Achei que aquilo nunca ia entrar na minha cabeça, virou um desafio aprender, conta. ( Veja a família cubista em ação )

Hoje, Suzana, leva o cubo na bolsa para onde vai. Qualquer folga que tenho eu treino, é uma delícia, afirma.

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