RIO DE JANEIRO - Para tentar reduzir casos de morte de inocentes durante ações da Polícia Militar contra o crime organizado, cerca de 25 homens do Grupo de Ações Táticas da PM do Rio de Janeiro começaram hoje (23) um treinamento específico sobre uso de armas não-letais. De acordo com o comandante da corporação, coronel Gilson Pitta, a previsão é de que até o fim de agosto os integrantes dos 19 batalhões da capital tenham recebido os conhecimentos, e até outubro, o contingente das 39 unidades do estado.

Neste período, também serão distribuídos kits com 86 itens ¿ como sprays de pimenta, granadas de luz e som, de gás lacrimogêneo e munições de borracha ¿ nos batalhões. O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, que assistiu ao treinamento da primeira turma durante a manhã, destacou que caberá aos policiais envolvidos nas ações optarem pelo tipo de arma que será empregada, deixando como última opção o uso de armamento letal, como os fuzis.

O que se está fazendo aqui não é subtrair a capacidade de defesa e de atuação do policial, mas estamos dando a ele mais um instrumento para que, com o treinamento, possa avaliar o quê, quando e como usar, analisou.

Ele ressaltou, no entanto, que os policiais envolvidos em incursões em áreas consideradas de risco, não terão que se preocupar com essa escolha, porque trata-se de operações planejadas, maciças e previamente programadas.

Beltrame afirmou ainda que todos os PMs do Rio também vão receber treinamento de abordagem e de tiro no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O secretário disse que o início desses treinamentos estava previsto para o mês de setembro, mas foi antecipado porque era preciso dar uma resposta rápida à sociedade depois dos casos de violência praticados contra cidadãos comuns envolvendo a PM.

O caso do menino João Ricardo ¿ de três anos, que acabou morto após policiais terem confundido o carro em que estava com a mãe e o irmão, de 9 meses, com o de assaltantes em fuga ¿ também foi relembrado pelo secretário. Mais uma vez, Beltrame disse que o ocorrido foi desastroso e imperdoável.

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