PMs do caso menino João Roberto ficam calados durante interrogatório

RIO DE JANEIRO - Os dois policiais militares acusados de matar o menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, no dia 6 de julho, na Tijuca, zona Norte do Rio, ficaram calados durante o interrogatório realizado nesta quarta-feira no 2º Tribunal do Júri do Rio. O soldado Elias Gonçalves da Costa Neto e o cabo Willian de Paula ouviram o juiz Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez fazer a leitura da denúncia, mas, orientados por seus advogados, usaram do direito constitucional de permanecer em silêncio.

Redação |

AE
João Roberto, de 3 anos
Durante a audiência, seria exibido um vídeo com imagens do fato gravadas por uma câmera de um prédio. No entanto, isso não foi possível por causa da má qualidade do material. O juiz deferiu então um pedido do Ministério Público Estadual para que o DVD seja enviado para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, a fim de ser feita perícia que viabilize a exibição das imagens no Tribunal.

A próxima fase do processo contra os dois policiais, que estão presos preventivamente, será a apresentação, no prazo de três dias, de defesa prévia por parte dos advogados. Depois disso, o juiz marcará a audiência para a produção de prova de acusação, quando serão ouvidas as testemunhas indicadas pela promotoria.

De acordo com a denúncia do MP, o menino João Roberto morreu ao ser atingido por tiros disparados pelos dois policiais, do 6º BPM (Tijuca), que confundiram o carro de sua mãe, Alessandra Amorim Soares, com o dos bandidos. O sargento e o soldado respondem por homicídio duplamente qualificado e duas tentativas.

O caso

João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Fabio Motta/AE
Pai de João chora ao receber notícia dos médicos
Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend cinza chumbo. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de nove meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna.

Imagens da câmera de segurança de um edifício da rua mostraram que a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro. O veículo foi atingido por 17 tiros, disparados pelos PMs.

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