A Secretaria de Segurança Pública da Bahia decidiu tirar os policiais militares dos módulos de Salvador e os inserir em rondas, nas buscas pelos responsáveis pelos ataques a bases policiais e a ônibus, que ocorrem desde a madrugada de ontem. Até o início da noite de hoje, foram atacadas seis das 81 bases da PM espalhadas pela cidade.

Dessas, 55 estavam funcionando até ontem. As demais já haviam sido desativadas.

Durante a noite de ontem, um módulo que estava desativado havia mais de seis meses, no bairro de Fazenda Grande 2, foi atacado. Desta vez, em vez de metralhadoras e pistolas, os criminosos usaram pedras e dois coquetéis molotov - bomba incendiária caseira, feita com uma garrafa cheia de gasolina - para destruir a unidade. Os feridos civis dos ataques chegam a cinco até o início da noite de hoje. Além deles, três policiais ficaram feridos nos ataques contra os módulos ontem. Nenhum corre risco de morte. Três acusados de participar dos ataques foram mortos em confronto com PMs, depois de atacar a viatura na qual estavam os policiais. Nas ruas, mais três ônibus foram queimados na cidade durante esta terça-feira, mas as ações não deixaram feridos.

Segundo o secretário de Segurança Pública da Bahia, César Nunes, todos os ataques a módulos policiais e alguns dos atos de vandalismo contra ônibus foram articulados pelo traficante Cláudio Eduardo Campanha, apontado como principal líder do tráfico na Bahia. Mesmo preso desde o fim do ano passado no Presídio Salvador, ele teria coordenado as ações antes de ser transferido para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS), na sexta-feira. "A polícia, por meio de informações da Inteligência, tinha conhecimento que poderiam ocorrer atentados na cidade a partir do sábado", diz Nunes. "Reforçamos o policiamento na cidade desde o fim de semana por isso."

De acordo com ele, três acusados de envolvimento nos ataques foram presos - um deles em flagrante, quando tentava jogar um coquetel molotov no Módulo Policial de Cajazeiras. O governador baiano, Jaques Wagner, ressalta que a tática de repressão ao crime organizado adotado no Estado, baseada na prisão dos acusados de serem os líderes do tráfico de drogas, será mantida. Ele admite, porém, que a administração pública estuda a possibilidade de desativar os módulos policiais permanentemente. "Estamos fazendo experiências apenas com rondas em alguns bairros, o que pode ser uma alternativa."

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