RIO DE JANEIRO - Os policiais militares Elias Gonçalves da Costa Neto e Wiliam de Paula, acusados da morte do menino João Roberto, de três anos, ocorrida em julho deste ano na Tijuca, zona norte do Rio, serão levados a júri popular. A sentença foi proferida nesta sexta-feira pelo juiz do 2º Tribunal do Júri da Capital, Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez.

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De acordo com o magistrado, mesmo tendo ficado em silêncio durante o interrogatório, há indícios suficientes de que os PMs foram os autores dos crimes descritos na denúncia apresentada pelo Ministério Público.

"No tocante à autoria, existem indícios suficientes de que os réus praticaram os delitos a eles imputados na peça vestibular. Embora tenham exercido em juízo o direito de permanecerem em silêncio, os acusados admitiram em sede policial que no dia, hora e local dos fatos efetuaram os disparos de arma de fogo", escreveu o juiz na decisão

Para Baldez, os acusados devem continuar presos provisoriamente para garantir a ordem pública e a regular instrução criminal do processo. Elias e Wiliam permanecerão detidos até o julgamento, que não tem data definida. A defesa dos réus ainda pode recorrer da sentença de pronúncia.

"Embora os réus sejam primários, de bons antecedentes, na hipótese sub judice subsistem íntegros os motivos autorizadores da manutenção da custodia cautelar", afirmou o juiz.

Relembre o caso

AE
João Roberto, de 3 anos
João Roberto foi baleado na cabeça, no dia 06 de julho, durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Os agentes perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend cinza chumbo. Além de João, a advogada Alessandra Soares estava com seu outro filho, Vinícius Soares, de três meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna.

Imagens da câmera de segurança de um edifício da rua mostraram que a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro. O veículo foi atingido por 17 tiros de pistola e fuzil, disparados pelos PMs.

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