PMDB volta a crescer depois de 20 anos de recuo

SÃO PAULO - O PMDB e o PSB são os partidos que tiveram desempenho eleitoral mais expressivo no primeiro turno das disputas municipais, encerrado no domingo. Pela primeira vez desde 1988 o PMDB interrompeu uma trajetória declinante e elegeu no domingo pelo menos 1.

Valor Online |

194 prefeitos, 140 a mais do que há quatro anos, sem contar os municípios em que disputa o segundo turno, de acordo com um balanço preliminar divulgado pelo TSE na tarde de ontem. Em relação ao total de 2004, o PMDB cresceu 13,8%. Já o PSB passou de 177 eleitos em 2004 para ao menos 309. Um aumento de 74,5%.

A atuação do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, foi o elemento decisivo para a recuperação pemedebista do ponto de vista eleitoral. Em 2004, o PMDB lançou apenas 89 candidatos a prefeito nos 415 municípios baianos e obteve 19 vitórias. Desta vez, lançou 260 candidatos e já havia garantido 113 na tarde de ontem . " O PMDB, muito mais que o governador Jaques Wagner (PT), herdou o espólio carlista " , comentou o cientista político Alberto Carlos Almeida, referindo-se à hegemonia comandada pelo antigo PFL, hoje DEM, que existiu no estado enquanto foi vivo o três vezes governador e senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007).

Mesmo após perder o governo estadual gaúcho, o PMDB conseguiu manter-se como a segunda maior base municipal do Estado, depois do PP, e elegeu este ano pelo menos 143 prefeitos. Em 2004, o PMDB obteve 136 prefeituras no Rio Grande do Sul. Apesar de ter ido ao segundo turno em Belo Horizonte em um resultado surpreendente, o partido recuou em número de prefeituras em Minas Gerais, passando de 142 eleitos há quatro anos a pelo menos 119.

Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB), que é o presidente nacional da sigla, começou a recompor a base política do avô, o três vezes governador Miguel Arraes (1916-2005) e o número de prefeitos socialistas eleitos passou de 12 para ao menos 49 entre 2004 e 2008. O desempenho pernambucano contrasta com o dos dois outros Estados onde o PSB governa.

No Rio Grande do Norte, a governadora Wilma de Faria deixará de ter um prefeito socialista em Natal , capital do Estado, e viu sua base encolher de 47 para 44 prefeituras já garantidas. No Ceará do governador Cid Gomes, o partido passou de 6 para pelo menos 22 prefeitos eleitos, mas é apenas a terceira força local, atrás do PSDB, que elegeu 54; e do PMDB, com 33.

O PT abandonou o ritmo exponencial de expansão que registrava em eleições municipais anteriores. Avançou de 411 para 548 prefeituras no balanço preliminar, um aumento de 33% , ao abrir-se para alianças este ano. O número de candidatos petistas a prefeito caiu de 1.947 para 1.633 na disputa em 2008, um recuo de 16,2%.

O partido privilegiou as candidaturas competitivas. Em 1996, apenas 10% dos candidatos petistas às prefeituras foram eleitos. Quatro anos depois o percentual foi para 14% e em 2004, para 21%. Este ano, o percentual subiu para 33%. " O PT começa a se aproximar do perfil dos demais partidos grandes " , comentou Almeida. O PMDB elegeu 45% de seus candidatos. O PSDB conseguiu a vitória em 44% de suas candidaturas e o DEM, em 40% dos casos.

A principal base municipal petista continua em Minas Gerais, como já havia sido em 2004. O PT mineiro ampliou de 87 para 108 prefeitos. Mesmo distante do desempenho obtido por Geddel , o governador Jaques Wagner conseguiu mais que dobrar o número de prefeituras controlada pelos petistas na Bahia. O partido pulou de 31 em 2004 para pelo menos 66 no último domingo. Ficou como a segunda força baiana. Em São Paulo, o PT elegeu até o momento 61 prefeitos.

Os tucanos mantiveram a trajetória de queda já registrada em 2004, caindo de 871 para 780 prefeitos eleitos nos últimos quatro anos, uma queda de 11,4%. Tornou-se ainda mais paulista: em 2004, sob o comando estadual do então governador Geraldo Alckmin, o partido elegeu 195 prefeitos em São Paulo. Agora, sob a égide do governador José Serra , já elegeu 201 no balanço preliminar , sem considerar os municípios em que haverá segundo turno.

Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves também conseguiu proporcionar crescimento partidário, apesar de ter sido mal sucedido nas grandes e médias cidades mineiros. Elegeu este ano pelo menos 159 prefeitos. Em 2004, o PSDB mineiro conquistou 150 prefeituras. Os tucanos saíram destroçados no Pará, onde perderam a máquina estadual para o PT em 2006. Haviam eleito 47 prefeitos em 2004 e fizeram apenas 13 agora.

O DEM teve a maior queda entre os partidos grandes, passando de 792 eleitos em 2004 para 494 , um recuo de 37,7% nesta eleição e caindo do terceiro para o quinto lugar entre os partidos com o maior número de prefeituras. Em São Paulo, apesar da surpreendente ida do prefeito paulistano Gilberto Kassab para o segundo turno em primeiro lugar, o partido cresceu pouco em quantidade, em relação ao que elegeu em 2004. Passou de 75 prefeitos vitoriosos há quatro anos para 76 no domingo, de acordo com o balanço preliminar da tarde de ontem.

O principal recuo do DEM ocorreu na Bahia. O partido caiu de 154 prefeituras eleitas em 2004 para 44 este ano. Boa parte da antiga base carlista, contudo, migrou para partidos como PMDB e PR antes da disputa eleitoral deste ano. O maior avanço do DEM ocorreu em Minas Gerais, um estado em que o partido teve um desempenho pífio na capital. A sigla passou de 88 para 99 prefeitos eleitos entre 2004 e 2008.

O PP manteve a condição de quarto maior partido em número de prefeitos, com um total de eleitos praticamente igual ao da eleição anterior: garantiu a posse de pelo menos 547 prefeituras, uma a menos que o PT, ante 552 em 2004, uma variação negativa de 1%. A principal base do partido continua sendo o Rio Grande do Sul, onde o partido venceu em 146 cidades onde não existe o segundo turno.

Em 2004, o partido havia triunfado em 135 cidades gaúchas. Em Goiás, onde comando o governo estadual com Alcides Rodrigues, passou de 29 para 47 prefeituras, mas é apenas a terceira força no Estado, atrás do PMDB, com 56 municípios, e do PSDB, com 51.

O PPS migrou da condição de partido médio para uma sigla de pequeno porte, ao cair de 306 prefeitos eleitos em 2004 para apenas 132 este ano. Nos últimos quatro anos, o partido perdeu os dois governadores que havia eleito em 2002: Blairo Maggi, no Mato Grosso e Ivo Cassol, em Rondônia. O último ainda disputou a reeleição pelo partido em 2006, mas abandonou a sigla logo depois.

Entre os pequenos partidos, o recém-criado PRB, do vice-presidente José Alencar, conseguiu eleger 54 prefeitos, sendo 17 deles no Ceará. Já o PC do B pulou de 10 para 40 prefeituras, sendo que ainda disputa no segundo turno São Luís, o que corresponde a 500%, partindo de uma base muito baixa. Do total de cidades controladas pelos comunistas , dezoito estão na Bahia.

O PV conquistou a sua primeira prefeitura de capital com a vitória da deputada estadual Micarla de Sousa em Natal e ainda irá disputar o segundo turno no Rio de Janeiro com o deputado federal Fernando Gabeira, mas do ponto de vista quantitativo, teve um avanço relativamente discreto. A sigla passou de 56 para 77 prefeitos nos últimos quatro anos, o que significa um crescimento de 40%.

Abrigo da terceira colocada na eleição presidencial em 2006, a ex-senadora e vereadora eleita de Maceió Heloísa Helena, o P-SOL teve um péssimo resultado eleitoral. Não conseguiu eleger um prefeito sequer, condição que divide com apenas quatro dos 27 partidos que disputaram a eleição deste ano, segundo os números preliminares do TSE. Além do P-SOL, apenas as microsiglas de esquerda PCB, PCO e PSTU passaram absolutamente em branco nas eleições majoritárias.

O PT ainda disputa a eleição em quinze cidades no segundo turno. O PMDB em onze delas, o PSDB em dez e o PSB em seis.

(César Felício | Valor Econômico)

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